A Ilha da Noite

Para aqueles que amam o maravilhoso mundo criado pela Mestra inigualável Anne Rice. Lestat, Louis, Armand, Marius, Mayfairs, A Talamasca... Todos estão aqui.
 
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 Os Anéis de Sangue e Ouro

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Danni de Lioncourt
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MensagemAssunto: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 10:10 pm

AVISO DE SPOILERS: Esse texto contém spoiler de: O Vampiro Lestat, A Rainha dos Condenados, O Vampiro Armand e Sangue e Ouro.
Pode ser que não tenha algo que realmente afete a leitura, mas fica o aviso!


Essa é uma história de ficção, mais ou menos.
Bem, eu sei, vocês irão entender.





Meus queridos amigos d’A Ilha da Noite,
Em primeiro lugar, gostaria de dedicar esse texto a vocês, que tem me acompanhado há cerca de três anos, e que do mesmo modo amável de sempre me receberam após o meu último sumiço. Quero que saibam que quaisquer que sejam suas interpretações, trata-se de um relato totalmente sincero. Creio que é o momento certo para revelar-lhes a verdade por trás do meu desaparecimento, assim como do retorno súbito que atribuí tão descaradamente ao livro biográfico de Marius de Romanus. Escrevi durante três longas noites que passei em claro, e confesso que ainda não tive estômago para reler tudo que aqui está registrado.
Advirto-lhes que as cópias desse texto estão sendo enviadas, nesse momento, apenas para os membros dessa Ordem e caso isso pare em algum livro ou nas mãos de mármore de algum bebedor de sangue, foi devido à negligência de algum dos destinatários.
Atenciosamente,
D. de Lioncourt,



INTRODUÇÃO


Até pouco tempo antes de minhas reflexões, eu não saberia dizer exatamente o quê o atraiu. O que aconteceu comigo poderia ter ocorrido a qualquer outro, e só trago a convicção de que não aconteceu também com outras pessoas por conhecer tão bem – na medida do possível para uma criatura que coleciona os séculos como eu coleciono livros –, aquele de quem falo.

PARTE I:
O RETRATO DA MEMÓRIA


Começou com a luz, no início da primavera do ano passado. As manhãs, que nunca tiveram qualquer encanto para mim, tornaram-se únicas e tão especiais que eu fazia questão de dormir somente depois de apreciar todo o esplendor do amanhecer. Era quase um ritual: afastar as cortinas, abrindo as janelas para que os raios de luz adentrassem a casa, aquecendo-a e tornando-a tão viva e iluminada quanto minha eu estive um dia. Quando passei a dedicar tanta atenção a essas atitudes que sempre me foram tão banais? Tão insignificante quanto deitar para observar os pontos luminosos no céu e chamar, silenciosamente, aqueles que passaram por mim, mas fizeram questão de deixar o espaço conquistado vago e amargo. Amargura essa que me tomou o sorriso, o sono e também a disposição. Estive beirando à loucura, mas antes... Houve os bons tempos. Houve uma Época Perfeita.

Pensando bem, posso ver como consegui atraí-lo para mim. A forma como meu falso desinteresse por sua pessoa revelou-se um amor inconfessável; como aquele desprezo esnobe não passava de pura admiração, de um sentimento de identificação tão profundo quanto os labirintos de sua alma condenada e milenar. Também acredito que o despertar de seu instinto protetor e de seus sentimentos tenha partido do fato que meu amado companheiro era semelhante ao que um dia fora o seu Amadeo em sua astúcia, em suas cicatrizes profundas, em sua beleza que só poderia ter saído de pinturas, e também em nosso amor errante. Assim como ele, perdi o meu pequeno e amável anjo, perdi-o para as trevas e sua imundície repulsiva, vi-o liderar e erguer a voz a um grupo de fanáticos, seus eternos admiradores, assim como vi sua decadência. Mas, diferente de Marius, não voltei a encontrar meu Amadeo. Não pude tê-lo outra vez em meus braços, sequer tive a oportunidade de abrir meu coração para que pudesse compreender os motivos pelos quais não pude salvá-lo, não pude buscá-lo para mim e protegê-lo como um dia prometi que faria, acontecesse o que acontecesse. Essa angústia me atormentou e sinto que me atormentará durante toda a minha existência. Ele me despreza e posso senti-lo, mesmo à distância.

Vendo por esse ângulo, Marius atraiu-se pela dor.
Evidente que não apenas por ela. Afinal, quantos milhares de seres humanos não estão, neste exato momento, aos prantos pelos seus amores perdidos e danos irreparáveis? Incontáveis! Mas existe também outro fato que me aproximou do Mestre Romano. Foi ela, a arte.



(...)



Última edição por Danni de Lioncourt em 1/10/2013, 10:58 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 10:32 pm

(...)



Voltemos alguns anos atrás, onde, de algum modo inexplicável, senti-me atraída por um livro supostamente fictício em uma livraria qualquer da cidade. Era o livro biográfico do Vampiro Louis e sua melancólica narrativa, foi ele que me ligaram diretamente ao mundo dos bebedores de sangue. Virada a última página, não perdi tempo em comprar a autobiografia do Vampiro Lestat e então seguiu-se uma temporada em que me dediquei única e exclusivamente ao estudo dessas criaturas fantásticas. Nesse ponto é evidente que eu sabia da existência delas. Porém, o modo como descobri que não são pura ficção é assunto para outra história. Entenda que elas me exerciam tal fascínio que até hoje tenho dificuldades para descrever. Viveria de bom grado para o estudo desses seres, não como parte de suas “não-vidas”, mas à parte delas. Uma observadora deslumbrada! Foi a partir desse fascínio que encontrei outros estudiosos. Muito mais próximos de você, que está lendo, do que pode imaginar. Acredite, eles são pessoas comuns, geralmente fascinadas pelos livros, e consequentemente muito sábias.

Caso conheça as obras de uma suposta autora de nome Anne Rice, é evidente que também conheceu a Talamasca, a Ordem dos Estudiosos. Permita-me falar sobre essa autora: americana, de New Orleans, Anne Rice é tão inteligente quanto algumas dessas criaturas sobrenaturais, é incrivelmente bondosa e a favorita de todos eles, foi escolhida – acredita-se que uma confusão envolvendo sua família chamou atenção, mas não é nada confirmado – para publicar os livros com as histórias dos vampiros. Depois do escândalo provocado por Lestat – que resultou em uma reviravolta entre essas criaturas, desde o despertar da Mãe e Pai dos vampiros, como também a loucura provocada por uma religiosa fanática que acreditava que o louro tratava-se do anjo dela –, Anne tratou de abaixar a poeira, afirmando e reafirmando constantemente que se tratava apenas de ficção, histórias criadas por ela e nada mais. Convenhamos, é um bom modo de enganar a massa, mas existe, existiu e sempre existirão àqueles que, embora estejam do lado de fora, possuem o conhecimento da verdadeira história.

No caso, esse grupo pertence ao Talamasca. Cuja unidade nacional da Ordem está no Rio de Janeiro, e também possui um fórum público de discussões, conhecido como A Ilha da Noite (em referência ao paraíso particular comprado por Armand para o seu pupilo, Daniel Molloy, um jornalista que, ao descobrir a existência real dos vampiros, através de Louis, enlouqueceu completamente). A princípio, os membros se mantinham em regiões afastadas do país, fazendo suas pesquisas particulares e relatórios diários sobre suas descobertas. Concentrando, é claro, um maior número no Rio de Janeiro, onde alguns vampiros já fizeram aparições públicas. Com o passar do tempo, os membros passaram a marcar encontros públicos. A prova de sua ligação com a Talamasca está no uniforme negro utilizado por eles, cuja frase estampada é, sem surpresa, a mesma dos cartões da Ordem Inglesa de Estudiosos. A tradução é algo como “Nós observamos e estamos sempre presentes”.

A origem dessa unidade permanece como sendo um mistério, mas ao que se sabe é que a Ordem nacional foi uma iniciativa de Jaja de Lioncourt – como o sobrenome denuncia, tem um grau de parentesco com Lestat, ao que se sabe são muitíssimo amigos. As táticas da Ordem (como, por exemplo, a mudança de nome, criação de um fórum de discussões públicas tratando do assunto como sendo apenas literatura estrangeira de ficção) visavam despistar fanáticos, atrair mais pessoas interessadas no caso, de uma forma lenta, porém bastante inteligente (se você não for tão fascinado, apesar de ser muito bem recebido, não irá permanecer por lá muito tempo, assim, naturalmente se afasta com o passar do tempo). Além disso, eles faziam o possível para manter a política da boa vizinhança com os vampiros. Especialmente com o meu amado e cretino mestre Marius de Romanus.


(...)


Última edição por Danni de Lioncourt em 1/10/2013, 10:59 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 10:42 pm

(...)

O relato de vida desse vampiro pode ser detalhadamente encontrado nos livros The Vampire Lestat, 1985, e também em Blood and Gold, 2001. Lestat de Lioncourt tratou de fazê-lo por mim. Embora seja completamente apaixonado pelos mortais e sua companhia, não desejaria ter seus segredos e vida revelados ao mundo inteiro. Eu também não gostaria. Seu erro foi ter confidenciado a alma, o coração e suas preciosas memórias ao velho e bandido sangue Lioncourt. Uma vez, com Lestat. Duas, agora, comigo. (Marius, meu Mestre cretino, se está lendo isso saiba que meu sangue doce que tanto aprecia arde, ferve em minhas veias e se com isso não tem motivos suficientes para vir a mim, tratarei de procurá-lo, eu mesma, nem que saia escrevendo teu nome por todos os muros do mundo!)

Voltando à minha devoção ao estudo desses vampiros, passei por uma época adorável onde nada além dos livros, xícaras de café e maços de cigarros faziam parte do meu dia. Não desejava qualquer ligação, a necessidade de socializar com alguém que não fizesse parte de minhas pesquisas era nula. Porém, em minha loucura, cometi o grande equívoco de enviar um recado aberto a um amigo falando sobre meus planos de viajar à New Orleans em busca de um cemitério. Em menos de vinte e quatro horas após o envio, recebi uma resposta. Não do meu amigo, que nem se deu ao trabalho de ler. Mas, de um ser misterioso que compreendia o objetivo de minha viagem e poderia me ajudar como nenhum outro. Óbvio que não acreditei naquilo, mas a assinatura do recado continha um telefone e um endereço e isso me pareceu tão atraente quanto aquele livro pequeno e delicadamente posicionado em sua prateleira. Algo em mim tinha que arriscar e ligar, afinal, não parecia de tudo uma perda de tempo.

Ouvi uma voz feminina, atendia pelo nome de K. Foxy e estava disposta a me apresentar à ordem. Com um pouco de insistência, e algumas semanas trocando recados, concordei em conhecer o local. Vi que realmente se tratava de algo real – e não falo apenas das criaturas fantásticas que estudamos, mas da existência de uma Ordem de Estudiosos nacional, com uma recepção amável e organização exemplar, onde mesmo que você não tivesse qualquer interesse em pesquisas, se sentiria em casa, como parte daquele lugar, compreende? Havia, também, uma magia nas palavras macias daquelas pessoas, uma convicção que lhe dominava delicadamente com o tom de voz aveludado de seus membros. Além disso, cada um possuía algo... diferente. Uns conseguiam comunicar-se por telepatia e havia até alguns locais apropriados para o treino desse dom. Outros comunicavam-se com espíritos, eram sensíveis a tais coisas, ou descendiam de. Eram todos especiais, em sua singularidade. Especiais, dedicados e tão queridos quanto uma família de sangue. Senti isso desde o primeiro momento e ainda sinto agora, tão vivo quanto no início. Por um período de aproximadamente dois anos, vivi por eles e para eles, e assim seria até a chegada de um Baile na luxuosa mansão do Garden District, em New Orleans. Onde um único detalhe seria responsável por uma reviravolta em minha pobre vida mortal.

Como mencionei anteriormente, a amizade estreitíssima entre Lestat e os membros da Ordem era algo conhecido e não apenas por nós. Em comemoração a uma data, organizado pelo próprio vampiro, houve um baile de máscaras na mansão. O evento contou também com a presença de muitos outros de seus amados companheiros de imortalidade. Os membros da Ordem receberam, pessoalmente, o convite das mãos geladas de Lestat de Lioncourt. Além daqueles membros que receberam o convite através de outros vampiros, como as pupilas de Armand ou àqueles que são reservados a ponto de evitarem todo e qualquer contato com os bebedores de sangue. Houve uma única pessoa que não teve o convite devidamente entregue. Devido à interferência de um vampiro alto, de cabelos louro-claríssimos, trajando um paletó de veludo vermelho, que impediu Lestat de aproximar-se, a pessoa que vos fala foi a exceção. Quando que me doeria pelo ato tão pequeno de ter um convite entregue através de mãos amigas? Isso jamais me passaria pela cabeça, se não fosse a ligação de Foxy, empolgada por ter recebido uma visita de David, que lhe contou a animação dos vampiros para reencontrar seus amados mortais estudiosos d’A Ilha da Noite. Ouvi, continuei a conversa, desliguei o telefone e comecei a elaborar minha roupa como se absolutamente nada tivesse me abalado – e, àquela altura, realmente não tinha, não ainda. Pensei que não fazia diferença ter um convite entregue ou não. Usaria um belíssimo vestido longo, e estava inspirada a invocar os mortos, pensei em meios de trazer Nicolas de Lenfent como meu acompanhante. Um pouco ambicioso, mas era a ideia que tinha, naquele momento. Oh, sim, eu tinha um inexplicável fascínio com os vampiros mortos. Nunca acreditei que suas almas tivessem realmente deixado de existir, e exatamente essa crença me fazia procurar por eles, chamá-los, estudá-los com mais dedicação que os outros que eu sabia que existiam.

Antes do sono, pensei em pegar um dos livros para terminar meu relatório quando uma voz, excessivamente educada, em um tom familiar, murmurava “não agora, mais tarde termino os relatórios”.

Olhei para a parede verde-clara, exatamente naquele vazio onde pensava preencher com um quadro que pintava de Armand. Ou bem, pintava justamente a semelhança de Armand com o meu garoto perdido. Como uma junção de ambos num par de asas negras, o corpo desnudo graciosamente inclinado e as faces brancas, em uma sutil inexpressão. Esse quadro... Um segredo que guardava de todos, ainda que temesse que fosse conhecido por alguém com técnicas avançadas de leitura de pensamentos.

Esqueça os relatórios... Pinte.”

Pensei ter ouvido algo, mas não havia nada. Dei de ombros e segui novamente em direção à escrivaninha, mas a mesma frase voltou em minha mente. O que eu poderia entender, senão que não passava de um pensamento meu? Àquela altura, ainda que tivesse conhecimento dessas criaturas, eu não acreditava que elas seriam atrevidas – ou tão desinteressantes – a ponto de nutrir qualquer interesse que fosse por mim.

(...)
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 10:49 pm

(...)


Oh, como tudo é tão claro! Como sempre esteve tão evidente! Começou com a dor e depois com minha aproximação dos vampiros a partir do Ilha da Noite, e então o fator determinante: a minha obra-prima como pintora, o quadro dele. Repetidamente, todas as noites, minha mente enviava imagens de uma criatura tão semelhante com Armand que eu tinha cá minhas dúvidas acerca de sua veracidade. Tinha uma brilhante e inspiradora esperança de que ele próprio, algum dia, pudesse captá-las, viesse a mim e permitisse que eu beijasse uma a uma de suas mãos, e as faces de seu rosto perfeito! Uma reconciliação, a cura para minhas dores.

Acordei indisposta e com a ideia fixa de retratá-lo, mais uma vez. Comecei pelos olhos, depois contornando-lhe os lábios e dando um ar diabólico e persuasivo à sua expressão. Era assim que o enxergava. Como se estivesse sempre pronto para proferir palavras maldosas, pronto para vingar-se dos erros que cometi.

Em poucas semanas, minha dedicação aos estudos tinha caído pela metade. Eu me afastei dos bebedores de sangue, dos livros e relatórios, não pensava no baile próximo, sempre algo me afastava desse universo tão atraente, e tão meu. Não tinha sono, nem fome, nem sede. Alimentava-me da dor, vivia para ela. O telefone tocava por horas a fio e nunca me dava ao trabalho de atendê-lo. Recebia visitas e fingia dormir. Eu não checava as mensagens. Por um momento, fui desligada do mundo. Sentia a vida esvair-se de mim quando apanhava o pincel e as tintas e cobria a casa daquele rosto, daqueles traços que ilustravam minha mente e minha alma por inteiro. Certo tempo depois, pensei que fosse uma loucura minha. Digo, apenas obsessão da minha parte. Mas havia uma terceira criatura envolvida. Não era apenas eu quem pintava, quem sonhava e não só eu quem abandonava tudo para dormir com os primeiros raios de Sol, porque passava a noite em claro, pintando, pintando, pintando...

A sutileza desse gesto me fascina. Mas há um quê de assombroso em tudo isso. A sanidade roubada, a disposição perdida, a vida interrompida para dar lugar a uma obsessão doentia.

Acontece que eu tive sucesso em manter o segredo do meu quadro com meus colegas do Ilha da Noite, mas falhei miseravelmente em relação aos vampiros. Lestat soube do quadro, Armand soube do quadro, Louis, David souberam do quadro! Eles comentavam entre si sobre a garota mortal de quase dezesseis anos, cujas mãos pintavam um rosto semelhante ao de Armand, e cujo coração era amargurado por uma perda terrível! Quase um déjà vu.

Seria no baile que Armand tomaria nota desse quadro, ele estava nitidamente interessado em manter contato. Mas Lestat quem começaria com isso, ao entregar pessoalmente o convite para o evento, visitaria minha casa, leria meus relatórios e apreciaria minha arte. Ele teria sucesso nisso, afinal, quem conseguiria dizer não a ele? Quem, pelo amor dos deuses, seria capaz de rejeitar-lhe qualquer coisa que seja? Ele me daria o Sangue, roubaria meu coração e meus pensamentos.

A dor ligada à arte, juntamente com meu conhecimento sobre os vampiros, seu comportamento e suas não-vidas era suficiente para fazer de mim uma imortal?

Então e só então, Marius de Romanus, que há muito me observava, decidiu agir. Protegendo minha condição mortal ameaçada tanto por Armand quanto por Lestat, tomou as devidas providências para impedir meu encontro com o Príncipe Moleque e também com seu pequeno anjo. E com uma sutileza, digamos, assombrosa encheu minha mente com suas próprias ideias, vontades e imagens.

(...)
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 10:51 pm

(...)


Pergunto-me por qual motivo Marius não decidiu aparecer para mim, naquele momento em que minha sanidade ainda estava segura de seus instintos. Teria sido o fato de eu jamais ter conhecido, pessoalmente, um vampiro? Ou o fato de desprezá-lo profundamente por ter agido como fez com Armand... E como, ah, eu fizera depois! Jamais o desejaria, jamais quereria seu sangue e sua companhia maldita! Pensar nele era como olhar-me no espelho e sentir meu coração atravessado por um punhal. Marius tinha certeza de que eu não seria capaz de amá-lo e que esse desprezo sutil que me habitava em relação a ele, embora sempre tivesse existido respeito, poderia assegurá-lo de que eu jamais me apegaria. Nisso, o Filho dos Milênios cometeu um grande equívoco.

Ele também sabia que, mais cedo ou mais tarde, a semelhança que aquele rapaz tinha com Armand resultaria em uma obsessão minha pelo vampiro ruivo. Sabia que o procuraria, que o quereria e talvez morresse nesse busca doentia, quanto a isso posso dizer que ele está correto. Posso ver que Marius me tornou imune ao que estaria por vir, mas para tal, tornou-me imune a tudo. Com seu jeito sutil, adentrou minha mente, inserindo algumas ideias muito cautelosamente. Ele queria me afastar dos vampiros, da Ordem e dos livros com o objetivo de salvar-me dessa obsessão. Obviamente também queria apreciar a arte e evitar que eu fosse transformada. Mas seu terrível equívoco foi apaixonar-se por minhas pinturas e, ao passo que me afastava do mundo, me fazia mergulhar nos pincéis e nos potes de tinta. Ainda assim, esteve ciente o tempo inteiro, tanto que leu meus pensamentos quando os primeiros planos de suicídio surgiram, quando pensei em exigir ou conquistar a imortalidade do modo que fosse, apenas para trazer meu garoto de volta, quando pensei em queimar a casa, os quadros, os livros... E quem sabe até eu própria! Antes que o ódio se apossasse de mim e que a lâmina cortasse fundo as minhas veias, ele veio para mim. Pouco antes que os últimos resquícios de humanidade me deixassem, Marius se fez visível.



FINAL DA PRIMEIRA PARTE
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 11:09 pm

*---------*
Por acaso eu já lhe disse que você escreve muito bem?
Já quero ler mais!

bounce
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Danni de Lioncourt
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 11:10 pm

Gentileza sua, Vickie! Logo, logo postarei a Parte II. Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 11:12 pm

Cara, que lindo Danni! Sério mesmo. Eu gostei muito do seu estilo. Adorei a obsessão pela arte, o jeito como você colocou a existência real dos vampiros e a participação da Ilha da Noite no meio de tudo isso. Espero que nós tenhamos mais participações especiais nas próximas partes xD

Adorei, estou bem curiosa para ler o resto Very Happy

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“E assim, estendemos a mão para o caos furioso, apanhamos alguma coisa pequena e brilhante e nos agarramos a ela, dizendo para nós mesmos que ela tem significado, que o mundo é bom, que não somos a encarnação do mal e que no fim iremos pra casa.”

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"Estaria sempre dividido. Sempre haveria a dor. Dor e prazer interligando-se e moldando-o, mas um, na verdade, jamais se sobrepondo ao outro; nunca haveria paz."



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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/10/2013, 11:15 pm

Fico muito feliz que tenha gostado, realmente, Gabs.
Espero ter conseguido passar bem essa ideia da obsessão. E confesso que estava devendo a vocês um texto meu desde a criação do "Uma Cena Entre Você e Seu Personagem Favorito", então fica aí o pagamento da dívida! Espero que também gostem do que está por vir! cheers
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 5:55 am

Galera do Ilha.

Acabei de testemunhar o nascimento de uma Obra Prima, onde a ficção (?) de nossa autora favorita toma forma se misturando de maneira deliciosa e maravilhosamente escrita a novos personagens fascinantes.

Nos brinde com mais Danni. Mostre-nos sua genialidade aprisionada nesse corpo tão jovem mas com mente secular.

Seu fã de sempre...


I love you

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Última edição por Jaja de Lioncourt em 1/11/2013, 6:05 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 5:58 am

Ah sim:

Acho útil aos novos membros que porventura ainda não tenham lido indicar a criação coletiva que cometemos
- O Baile de Máscaras na Mansão de First Street.

http://ailhadanoite.forumeiros.com/t394-baile-de-mascaras-na-mansao-de-first-street


P.S. Preciso dizer o quanto estou orgulhoso de fazer parte dessa deliciosa história junto com o nosso amado Ilha da Noite?

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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 7:10 am

De verdade, fico muitíssimo honrada com os tantos elogios, Jaja.
Há muito desejava expor meu carinho pela mestra e por vocês do Ilha, e espero que esse texto tenha sido um bom modo de expressá-lo. Já estou preparando a continuação para vocês!
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 10:08 am

Então.... Fui muito gentilmente intimada a ler essa história. Não que eu precisasse de toda essa provocação. Até porque, conheço profundamente os talentos doentios da minha querida irmã. Pois bem, eu já disse várias e várias vezes o quanto gosto dos seus escritos. Você tem um dom, e as palavras fluem graciosamente pela tela.

Nosso imaginário quase que sempre nos faz partir dai. Do segredo, dos mistérios, da relação real, ficticio. E isso é bom. Nesse ponto começamos a criar dentro desse plano de fundo nossas próprias histórias, nossos próprios personagens, e eles ganham vida.

Pois bem, espero que você continue escrevendo fics mana... Gosto muito delas. Mas só acho que... você deveria ler logo esses negócios todos pra poder ler as minhas fics em paz :p
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 10:12 am

Muito gentilmente intimada. Ora, que frase mais bela e adorável, não?
Ainda me sinto em débito com suas fics. Engolir aqueles livros das bruxas não me parece nada
agradável, mas você sabe, posso demorar séculos, mas quando for a hora, vai ser DAQUELE jeito.
Agradeço por todas as suas palavras lindas!
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 5:09 pm

Lindo lindo lindo, Danni!

Amo histórias que envolvem obssessoes, e voce fez isso envolvendo nossos amados vampiros e ainda a Ilha da Noite!

Parabéns, Danni, voce escreve divinamente! Ficou perfeito.

ps: desculpa a minha escrito, esse teclado do mal aqui...
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Danni de Lioncourt
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MensagemAssunto: Re: Os Anéis de Sangue e Ouro    1/11/2013, 7:41 pm

Obrigada, Lafa! Mesmo! Smile
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