A Ilha da Noite

Para aqueles que amam o maravilhoso mundo criado pela Mestra inigualável Anne Rice. Lestat, Louis, Armand, Marius, Mayfairs, A Talamasca... Todos estão aqui.
 
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 - Ser Mayfair -

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MensagemAssunto: - Ser Mayfair -    7/17/2011, 8:00 pm

Bem, essa fic é sobre a Saga Mayfair, mas em seus últimos capitulos existem spoilers das Crônicas Vampirescas também. É claro que para a melhor compreensão da fic, seria bom ter lido as duas.

Estou muito feliz com ela, gosto muito dessa fic, acho que é a melhor que já escrevi.
Ainda está incompleta, estou escrevendo o capitulo 11, e ela acaba no capitulo 15. Até agora, não tem spoilers das Crônicas, mas tem aos montes das Mayfairs.

Mas essa leitura fica a cargo de vocês.

Enfim, vou postar capitulo a capitulo. Espero que vocês gostem, e peço que mesmo que leiam depois, apareçam aqui tá? Comeeeentem por favor.

p.s: Resolvi postar, porque quem tá acompanhando, está gostando... E toda vez que envio um cap novo pro nosso querido moderador ele insiste em perguntar se vou postar ou não... há.
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    7/17/2011, 8:01 pm

Cap 1. Mayfair


Eu sou uma Mayfair. Nina Marie Mayfair. Bisneta de Julien Mayfair, não três vezes como minha prima Mona. Descendo das linhagens diretas dele. Filha de um de seus netos. Ou seriam de dois? Meu bisavô impregnou tanto seu gene dentro de nossa família que é difícil saber quem não descende dele.

Voltando a mim, tenho vinte e três anos agora. Mas tinha apenas vinte quando a história principal dessa memória se passou.
Meu rosto diz bem menos, mas meu corpo nega a formação precoce.

Vindo das linhagens de Julien, sou Mayfair de cabelos pretos e olhos claros. Azuis como os dele, só que de um tom mais escuro.

Tento manter os cabelos sempre na altura dos ombros. Parei de crescer muito cedo, portanto, tenho apenas um metro e sessenta e cinco. Não sou tão esguia como a maior parte da família. Nem tão recatada como elas. Lembro as Mayfairs do passado, ousadas e poderosas. Nunca tive medo de meus poderes, nem acreditei quando me disseram que eles não existiam. Foi um dos motivos que me levaram a fugir.

Não morava em uma das grandes mansões da família, só por falta de interesse.

Meus pais queriam me afastar da casa e de Lasher. Porque eu o via...desde de muito pequena. Apesar de não quererem admitir, os dois sabiam da existência dos poderes.
Jamais pude ficar muito tempo com os parentes, exceto em grandes reuniões como enterros que quase cheguei a desejar... Essas ocasiões eram minhas únicas oportunidades de ser uma Mayfair realmente, e de fazer algo que adorava; analisar os outros. Comparar seus poderes aos meus.

Não havia encontrado um Mayfair que se iguala-se a mim, talvez por deixarem seus poderes sepultados sob uma cripta de medo.
Claro, isso foi antes de conhecer Mona... Ela tinha apenas sete anos quando a conheci, mas pude sentir o poder que emanava dela. Finalmente havia encontrado uma irmã de alma.

Mayfair, bela e ousada como eu; lembro que tentou investigar minha mente, impressionada
com minha postura. Tolinha. Achou ter encontrado outra bruxa ignorante sobre seus poderes,quando parou em minha barreira mental, recuou e ficou chocada.

- Não tenha medo, Mona querida. Nunca tema uma prima Mayfair. Quando se sentir intimidada demonstre que tem poder, como fiz com você. - disse enquanto arrumava a fita em seu cabelo.

Meus pais morreram.. quando eu tinha quatorze anos. Morreram é modo de dizer, a verdade é que provoquei suas mortes. As desejei e elas aconteceram. Sentia-me presa com eles. Não me arrependo.

Tio Ryan cuidou para que eu tivesse acesso ao dinheiro de meus pais. Meu pai trabalhava na Mayfair & Mayfair, era um dos típicos advogados. Sempre de terno, cabelos bem cortados, vocabulário polido e equilibrado. Tenho uma boa herança guardada.
Fora a mesada que meus tios me dão.
Bisneta de Julien não pode viver sem uma boa quantia de dinheiro: Sim Senhor!!

Mas tia Carl, não achava seguro uma mocinha com quatorze anos morando sozinha e longe do núcleo Mayfair. Eu digo: Ela só queria outra bruxa para controlar. Entrei com um pedido de emancipação. Levou algumas semanas para sair, mas quando pude, finalmente fui embora.

Não planejei muito bem para onde iria. Primeiro pousei em Los Angeles, em seguida: Washigton, Dallas, New York, Chicago.. Foram quase seis meses, pelos Estados Unidos.

Voltei para a Louisiana quando percebi que só lá poderia aprender mais sobre meus poderes... Lembrei dos outros Mayfair, os negros. Que nutrem um sentimento de indiferença absurdo a nosso respeito, não que sintamos algo muito diferente. Eu não, os brancos, quis dizer. Talvez só Oncle Julien fosse respeitado entre eles. Sendo sua descendente, consegui uma maneira de ficar com eles por um tempo aprendendo sobre o que eles chamam de Les Mysteres e a arte do Vodu.

Mas Pierce me viu com eles uma vez, o suficiente para tia Gifford ficar descontrolada e me pedir pra voltar. Sem condições!

Fugi novamente, mas não antes de conhecer Aaron. O mortal que melhor entendeu e guardou meu segredo. A família não poderia saber. A Ordem também não. Aos quinze anos cheguei a Londres. Uma bruxa sem sobrenome, necessitando de orientação. Devo salientar que não era apenas uma bruxa que podia controlar os espíritos e usá-los a meu favor, era também uma sensitiva poderosa, além de possuir poderes telecinéticos naturais Que só descobri mais tarde, quando já era orientada pelo Talamasca.

Jamais desejei ser membro efetiva. Apenas foi meu último recurso, e uma ajuda de última estância. Passei apenas algum tempo morando na casa Matriz, meses depois sai de lá, voltando toda semana para minhas instruções... Com o tempo, fui me tornando mais controlada, mas poderosa internamente.

Agora, vamos para a história em si.



Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:23 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    7/17/2011, 8:04 pm

Cap 2. Doce aroma da morte


Prosseguindo minha narrativa, me encontrei com dois recados na secretária eletrônica.

Comecei a achar que foi uma péssima idéia enviar meu número de telefone no último e-mail que mandei para tio Ryan; pouco tempo depois passei a pensar que foi uma ótima medida paliativa.

Em poucos minutos de gravação ele tentou me explicar que alguns eventos muito peculiares estavam acontecendo entre as mulheres da família, principalmente com aquelas que se encontravam sozinhas e longe dos homens. A maioria fora encontrada morta com hemorragias decorrentes de abortos e com sinais de violência sexual. Eu deveria voltar para Nova Orleans, pelo meu bem, pelo amor que eu tivesse a meus parentes, por Deus e por todos os espíritos malditos que vagueavam pelos corredores da mansão em First Street. Certo, nada me assustou tanto quanto esse descontrole e o fato dele estar me escondendo algo.

O segundo recado era de Aaron, contando quase os mesmos fatos do primeiro, mas com um detalhe adicional, ele acreditava que as mortes poderiam ter relação com o desaparecimento de Rowan, Lasher encarnado, parto ou aborto no Natal e Michael Curry.

Tudo muito estranho. Outra recomendação para que eu voltasse para Nova Orleans. Sorte minha ter Mona como contato no e-mail, ela me mantinha apar de tudo que acontecia na família, mas estava muito calada ultimamente, talvez pelas atribulações desse momento.

Soube de tudo até o momento do desaparecimento de Rowan, e outros detalhes sórdidos sobre o comportamento inadequado de minha querida prima. Oh, Mona meu orgulho.

Café, cigarro, tevê, álcool, pesar, tristeza, impotência, e principalmente raiva de ter de voltar. Mas seis anos após minha primeira fuga, comecei a preparar minha mala para voltar ao berço de minha criação.

Não sei exatamente quanto tempo nem a distância exata, mas foi um tempo considerável naquele vôo. Passei a sentir falta de minha casa em Roma depois da segunda escala.
Tempo suficiente para ler boa parte de um livro muito interessante que me faltava terminar, Os Miseráveis de Victor Hugo.

Um peso se abatia sobre o meu coração, algum instinto de sobrevivência gritava dentro de mim. Calafrios e arrepios me subiam pela espinha, e minha premonição começou a me incomodar.

Dormi quando o efeito da vodca com suco de laranja começou a fazer efeito.

Só acordei quando uma aeromoça muito educada me tocou no ombro. Certo, estava na
hora de encarar meus parentes e os meus demônios.

Ajustei meu sobretudo, verifiquei se minhas meias não haviam sofrido nenhuma avaria durante minha corrida para encontrar um táxi. Usava um vestido verde musgo, muito simples, um pouco acima do joelho, meias roxas, botas e um sobretudo preto. Havia me preparado para uma noite quente e úmida de Nova Orleans. A maquiagem permanecia perfeita, e só o batom precisou de um retoque. Fosse como fosse, em meu intimo os instintos vindos de longe me diziam que não era só minha vida, nem a integridade da família que estava em jogo naquela viagem.

O desembarque foi monótono como sempre.

Já era noite alta quando cheguei. Não haviam me dito quem iria me buscar, ou se alguém iria. Por via das dúvidas, preferi ir sozinha até First Street, pois minha querida Mona estava morando lá. E ali existia lugar suficiente para mim, ela e o tal Michael Curry.

Apanhei um táxi,e foi com muita relutância de minha garganta que consegui dizer:

- Para First Street, por favor.

Nem vi meu caminho, preferi não rever minha cidade natal. Preferi não redescobrir os vínculos de mistério entre mim e ela. Pois Nova Orleans e eu temos uma relação de amor.

Amo como a noite ali parece mais enlouquecedora do que em outros lugares, de como podemos nos perder muito mais facilmente do que em qualquer outro lugar. Amo sua
capacidade de entorpecer nossos sentidos e nos fazer viver ali, naquela atmosfera nebulosa de magia e sedução.

O percurso foi relativamente rápido, e sem menos esperar ouvi a voz do motorista avisando que havíamos chegado.

Ele me ajudou a tirar minha bagagem do carro, e segui com passos lentos, mas decididos na direção da casa.

Havia cheiro de morte, havia cheiro de amor... E havia um cheiro que me despertou um desejo exótico e despudorado de me entregar para o homem que o exalava.




Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:24 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    7/17/2011, 8:05 pm

Amanhã posto mais capitulos... Se alguem se interessar, é claro.
;**
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/10/2011, 10:58 am

* gente má... Mas continuarei postando, vai ver alguem se interessa.*

Mais dois capitulos.

Cap 3. Brisa abrasadora da Irlanda


Não pude deixar soltar um risinho juvenil quando uma brisa fresca me envolveu num invisível, mas acolhedor abraço.

O antigo carvalho ao lado da fundação principal sempre me pareceu um lugar mais que apropriado para um entalhe com os dizeres: “ Lasher ”. Nada naquela casa me remetia mais a figura do homem de beleza simples que a nobre árvore. Passou-me pela cabeça uma imagem dele mesmo plantando e dando forças para que ela crescesse. Ótimo, nem havia passado nem uma hora e essa cidade já mexia com meus nervos.

E pensar que meu bisavô, mais que querido, havia dado a ordem para a sua construção. E pior, pensar que eu perdera sua restauração. Pensando bem, ai estava mais um motivo para conhecer e agradecer Michael Curry.

Meus sentimentos naquele momento eram confusos, pois quase cheguei a sentir gratidão por voltar. Que ironia!

Em todo caso, havia um assassino rondando e eu não teria saído de minha casa para continuar sozinha um jardim escuro.

Uma, duas, três batidas na porta, minha paciência tem um limite particularmente reduzido quanto a espera. Quase não tive tempo para maldizer os moradores com ouvidos de pedra. A porta se abriu para revelar um homem com olhos nublados pelo sono, mas com um rosto apreensivo pela morte. Bela recepção então.

Pude facilmente imaginar de quem se tratava. Novamente; que bela recepção.

Senti que ficou surpreso com minha chegada, como se não esperasse, ou não houvesse qualquer possibilidade de alguém lhe bater a porta numa hora daquelas.

Após alguns minutos de silêncio, resolvi não esperar mais uma reação dele.

- Olá. Sou Nina Marie. - lhe estendi a mão, ele respondeu ao ato num gesto quase mecânico.
- Em que posso ajudar a senhorita?
- Eles me ligaram, comentaram sobre os crimes. Sou Mayfair também. E de todas as casas que conheci quando ainda morava aqui, só esta parecia poder me receber nesse momento.
Ah, agora entendi. Pode entrar Nina. Desculpe minha falta de informação. - sorriu. Um sorriso delicioso. Simpático.

Caminhei junto dele até a sala, pensei em pedir pra me retirar, mas haviam explicações a serem dadas, e muitas perguntas para fazer.

Percebi depois de um tempo que ele me olhava de uma maneira estranha, como se algo em minha aparência o assustasse. Não entendi o porquê no inicio, mas vi um retrato numa moldura que me esclareceu tudo. Uma moça que aparentava ter dezesseis anos encarava o vidro, olhos azuis enormes, cabelos negros, uma ferocidade na maneira de olhar. Parecia minha mãe; não minha mãe verdadeira, pois ela não parecia comigo. Mas essa moça, poderia ter sido minha irmã.

Lembrei, era Deirdre Mayfair, a casca vazia de uma bruxa; aquela herdeira do legado que ficara anos a fio olhando para o vazio. Atormentada, e drogada. E só agora, depois de vê-la novamente e ver a mim mesma já desenvolvida como mulher, vi a semelhança entre nós. De fato, Michael tinha razões para me olhar daquela maneira.

- Não sou um espírito, nem a reencarnação de ninguém. Quando nasci, ela ainda estava viva. Se é que podemos dizer isso. Se a palavra viva poderia descrever o estado em que ela se encontrava todas às vezes a vi.
- Se não é indiscrição de minha parte, porque não a conheço, nem nunca ouvi falaram de você? E olha que alguns parentes costumam comentar sobre tudo.
- Ah, eu fui embora Michael. Cortei qualquer tipo de vinculo com essa família quando meus pais morreram. E isso, foram seis anos atrás. Acredito que eles não tenham muito orgulho disso.
- Se posso te perguntar, o que aconteceu com eles?

Voltei um pouco no passado...

Era uma noite atribulada aquela, meu pai estava brigando comigo mais uma vez. Acusando-me de manchar o nome da família pelas ruas, de sumir pela noite, sim, eu fazia muito isso. Gostava de sair pela noite, ver a cidade, conhecer as pessoas. Viver a magia do que sou. No entanto, acho que a experiência mais emocionante e encantadora foi meu encontro com um vampiro.

Esperem, devo esclarecer que é de conhecimento popular, e dos crentes de Nova Orleans que dois vampiros vivem na cidade. Um foi o que encontrei. Mas dizem que o mais perigoso é um belo rapaz loiro. Voltando, encontrar o vampiro foi pavoroso. Até hoje, é o homem mais apaixonante que vi. Os olhos de um verde escuro e luminoso, cabelos sedosos, que flutuavam sob suas costas quando o vi pela primeira vez. Caminhava a passadas lentas, a minha frente. Não sei exatamente o motivo, mas algo me fez ir até ele. Mas ao vê-lo mais de perto, pude notar que era diferente de tudo que já vira. A palidez de seu rosto, as mãos finas e o olhar apreensivo. Se encaixava perfeitamente em sua descrição feita a mim por muitos dos negros com quem conversei.

Divaguei, ia falar sobre a morte de meus pais, não sobre vampiros.

Meu pai berrava em casa, e meus poderes fervilhavam em mim. A raiva, a sensação de estar presa, e de que eu era uma bruxa, e não iria me submeter a quem quer que fosse. Eu tinha direito a ser livre. Naquele exato momento um vendaval chegou a cidade.

Minha casa, possuía grandes cristaleiras na sala, cheias de cristais finos, porcelanas e pratarias. Fora ali que o vento destruidor chegou primeiro, arrastando tudo que via pela frente. Os cacos flutuavam pela casa... Usando um conhecimento que não sabia ter, controlei um fluxo de energia que passou por mim, que parecia fluir por todo meu corpo, vindo da contração nervosa em meu coração até as extremidades. Com um grito, joguei os cacos na direção dele.

Mas minha mãe entrou na sala discutindo e gritando para proteger as pratarias, fechar as janelas! Com um instinto, ou uma influencia de um espírito ruim, mais cacos voaram na direção dela.

Uma onda de energia saiu de mim, sem controle, quebrando tudo que via e ia atirá-los contra mim. Só que ai, entra um detalhe que não sei explicar. Uma espécie de escudo protetor formou-se a minha volta, e não vinha de mim. Era externa. Era alguém me protegendo e desviando os projeteis. Até hoje, acredito que tenha sido Lasher.

- Foi assim Michael. Assim que eles morreram. - declarei, depois de contar essa memória a ele.
- Isso é assustador.
- Não se preocupe, estou muito mais controlada atualmente; e não faria mal algum a você.

Nada que disse a ele, deixou de ser dito aqui, ou será num momento futuro. Não valeria a pena escrever novamente sobre mim. Conversamos sobre ele, o conheci melhor. Ele me contou sobre Rowan, as mortes, Lasher, sobre ele mesmo. E eu lhe falei sobre mim, minhas viagens...

- Onde está Mona?

Mesmo depois de tudo que eu lhe falara, até mesmo da morte de meus pais, a primeira vez que aquele homem desviou o seu olhar sincero e gentil de mim, foi quando perguntei sobre Mona. Era culpa. Ele não sabia bem se eu conhecia seus segredos. Bem, eu não tinha o direito de me envolver. Resumi minha atitude a sorrir.

- No hospital, sua mãe está morrendo. - falou
- Como? E você esperou até eu estar absurdamente cansada e distraída para me contar isso? Vai me dizer que Beatrice morreu também? E Gifford? A velha Evelyn?
- Acalme-se. Apesar de um dos seus palpites estar certos... Gifford foi a primeira vitima.
- E vocês esperaram até agora para me dizer?
Praguejei, e andei em círculo pela sala até conseguir desanuviar minha mente daqueles sentimentos de raiva, impotência e confusão.
- Desculpe, sei que não foi você. E nem a você são dirigidas as minhas ofensas. Não tem culpa da fragilidade das informações dentro dessa família. Círculos dentro dos círculos. Sempre tentando escolher quem deve saber ou não, o que deve ser dito ou não.

Voltei a sentar, e vi minha imagem perturbadora refletida nos olhos de Michael. Odiando cada segundo. Odiando como minha muralha era quebrada como uma fina barreira de cristal quando se tratava do meu ressentimento por eles, e de como meu descontrole era humilhante.

Como uma brisa refrescante depois de um dia de sol escaldante, vi novamente simpatia no sorriso de compaixão dele, de como estava triste pelo meu desamparo, pela minha desestrutura, e sentia minha frustração por desmontar na frente dele.

Perguntei-me se ele sabia com quem estava lidando realmente.


Cap 4. Enfrentando os fantasmas na almas.

Celta até a alma. Crente e amigável. Aquele homem era um bruxo. Mas não um que faria a magia, mas estaria presente quando ela acontecesse. Um homem que a causaria, seria o seu catalisador, seu alvo, sua procura. Eu jogaria um feitiço nele a qualquer momento.

- Posso me recolher agora? Minha viagem foi longa, cheia de atribulações e essas noticias me deixaram surpresa.

Ele não respondeu,apenas caminhou, subindo as escadas, me indicando em gestos mudos que deveria segui-lo. E foi o que fiz.

Parei por alguns instantes, quando me deparei com um quadro... Meu bisavô, Julien, sorria. Disse olá, lhe sorri de volta, me aproximei, na intenção de tocá-lo. Mas recuei com receio de que ele se desfizesse ao toque dos meus dedos.

Voltei a seguir Michael.

Ele me levou até um quarto, o antigo quarto de Deirdre.

Mas a partir daquele momento, parei de ver, ouvir, ou sentir qualquer coisa que não fosse uma voz ao longe. Uma voz masculina, uma voz de comando, que não me falava, mas controlava meus sentimentos. E só havia desejo, vingança, e um propósito maior; e tudo se resumia a uma palavra que estava impregnada em meu subconsciente: Michael.

- Os espíritos sabem coisas que nós nem suspeitamos. Chego a pensar que conhecem o futuro, e que suas influencias, são similares ao papel do anjo da guarda, que nos guia, nos condiciona ao nosso futuro determinado. - falei baixo, quase um sussurro.

Mas não tinha necessidade de erguer minha voz acima disso, estávamos tão próximos que ele podia ouvir claramente.

- Faz bastante sentido. - me olhou, com um olhar que parecia meu. Sabem quando olhamos nos olhos de alguém e vemos que cada centímetro daquele olhar é seu?Era assim que nos olhávamos.

Entrei quarto adentro.

A decoração do cômodo era simples, mas de um gosto impecável.

Vamos em frente...

Malas desfeitas, instalação feita.

Meus pertences estavam dispostos organizadamente pelo quarto.

Encontrei um banheiro requintado, mas com o luxo antigo presente naquela casa.

O piso em mármore, e os azulejos que formavam figuras apenas para o meu padrão de associação distorcido.

Mergulhei na banheira, sentindo a pressão da água sob meu corpo, afundando em pensamentos obscuros, a espuma se formando na superfície.

Ouvi o chamado daquela voz que tenta me dominar sempre que entro muito profundamente em mim. Apesar de não saber exatamente do que se trata, a chamo de consciência reversa. Tentando-me a fazer coisas que a consciência trans-reversa
condenaria e insuflaria culpa em mim.

Novamente aquela contração desconfortável no peito. Como se fosse frio, aquele espasmo que o corpo manifesta ao tentar se movimentar e diminuir a dormência.

Meu cabelo espalhado, flutuando, a água morna me fazendo relaxar, meus braços afundavam, tocando o fundo da banheira.

Sai da água, sentindo um frio pelo contato do vento com minha pele molhada.

Vesti um dos fofos roupões que estavam num armário. Agradeci o conforto oferecido por ele.

Não me dei ao trabalho de me vestir, me pentear. Apenas cai pesada na cama.

Um sono profundo estava em meus olhos.

Mas é claro, meu sono nunca é tranqüilo por conta dos sonhos constantes. Sonhos premonitórios geralmente.

Baque. Choque. O nada.

Sem sonhos. Talvez os espíritos estivessem me dando um descanso pelo que estava por vir.

O dia surgia limpo, com nuvens de aparência fofa, um céu de azul claro. Como pude conferir da janela, quando a abri para observar o novo dia.

Depois de meus cuidados matinais, segui para a cozinha procurando café.

Um cheiro delicioso vinha de lá; uma conversa animada acontecia em torno da mesa.

Quando entrei, vi Michael e seu sorriso simpático, e uma figura de cabelos vermelhos de costas para a porta. Considerando o nível de compreensão da vida demonstrado, e resignação pelos infortúnios só poderia ser minha querida Mona.

- Ora veja só Michael, se não recebemos mais uma visita inesperada no meio da noite. - falei.

Ela se virou surpresa, não sabendo quem era. Ele não havia dito que eu chegara. Pois bem, não me custava me apresentar.

- E não me reconhece? Sou sua prima; Nina Marie.



Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:29 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/10/2011, 12:50 pm

ÔBA!!!

Desentupiu!!!

Qualidade Foxyniana de primeiríssima!!! Cool

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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/10/2011, 3:24 pm

Né? Fala pra eles Jaja. Eles ficam ai não lendo minha fic legal. Sad
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/11/2011, 1:14 pm

Cap 5. Cordialidades


Abraços, carinhos, conversas amistosas; familiares sorrisos. Minha única saudade era ela, ela e a cidade.

Havia tanto de mim naquela garota. Seu gênio brilhante, sua mente astuta. A marca poderosa de quem era. Parecia mais bruxa que eu. Ruiva, bela, precoce, poderosa, vibrante, esperem. Parecia meu eu mais jovem. O que nos separava era a inquietude da inexperiência e do desconhecido que ela possuía. E eu, já perdera.

Era bom estar com ela, Mona entendia. Mona sentia. Mas estava triste. Sua mãe, Alicia morrera. Só que minha querida, continuava firme, inflexível, com sua fibra adquirida pelos anos de solidão e responsabilidade assistida. E eu, justamente eu entendia como ninguém o peso de muito nova ser responsável por mim.

Embora sentisse a morte da mãe, permaneceu lúcida, clara, firme. Talvez por saber que aconteceria precocemente. Por já estar preparada para essa morte. É,tudo é conjectura.

Uma pena minha atenção não estar tão presa ao que ela me dizia, apesar de ser o que eu desejava.

Pois havia ele, e aquela sensação de inacabado entre nós.

Mona podia ser linda, jovem e vibrante. Mas era jovem e inexperiente. Tinha o dom, tinha instinto, mas a experiência viria com o tempo. Poderia ser bela, mas ainda parecia uma criança fingindo ser adulta. Ou uma adulta muito infantilizada, sua beleza de anjo, de ninfeta, uma Lolita. Mas não parecia ser exatamente o que seduziria um homem daqueles. Capaz de despertar o que ele realmente queria sentir, o prazer consciente, a entrega sincera, sem subterfúgios, em qualquer lugar; seria eu.

- Aconteceu algo que eu deveria saber? - falou Mona, olhando para ele e depois para mim.

Michael largou a xícara de café sob a mesa, depois de parecer engasgar com ele.

- Impressão sua respondi – pondo minhas mãos sobre as dela. Quase perfurei seus olhos com meu olhar. Era ironia e uma tentativa de despistar, tentativa. Inconveniência, meu olhar pareceu gritar.

Era claro que não poderia esconder dela que algo aconteceria, mas há uma grande diferença entre saber e ouvir de mim. Deixe que usasse sua intuição para descobrir.
E ela, também não conseguiu esconder de mim, omitiu nos e-mails que não havia apenas ido pra cama com ele, mas que estava apaixonada. Claro que paixões são normais, apaixono-me sempre. É saudável. É assim com as bruxas, amamos com a facilidade que odiamos.

A campainha tocou insistente.

Eugênia passou para atender, deixando-nos na sala.

Uma trupe de advogados entrou na casa, com seus passos quase cronometrados.

- Nina? - Tio Ryan exclamou. O mesmo estranhamento pelo meu rosto.
- Achei que não houvesse recebido meu recado, não tive confirmação. Quando chegou? E porque não avisou?
- Calma. Eu não respondi, pois não achei que haveria necessidade. Cheguei ontem. Não se preocupe, Michael me recebeu muito bem. Estou devidamente instalada.
- Quase não a reconheci. Você parece...
- Não filha de minha mãe? E sim de Deirdre? Eu sei. Mais pessoas passaram por esse estranhamento.
- Como estão as coisas? Mais alguem foi atacado? Tio Ryan... sinto muito por Gifford, gostava muito dela. Apesar de sua insistência em tentar me civilizar.
- Ah, claro querida. Não há o que fazer. Só pegar esse assassino e dar-lhe o fim devido.
- Pois não se preocupe, se esse homem, ou seja lá quem for se cair em minhas mãos, estará morto. E de maneira trágica. - disse soturna.

Depois dessa conversa breve, mas cheia de significado. Fomos nos separando em grupos. Alguns importunavam Mona com condolências. Eu e Ryan nos afastamos, havia conversas particulares.

- Eu estar aqui, não significa que ficarei. Ou uma reconciliação com vocês. Essa é a última manifestação de cordialidade entre mim e essa família de cínicos, falsos e cheio de escrúpulos. Existem só três pessoas nessa família que despertam meu amor, minha vontade de permanecer aqui: Mona, Michael e a Velha Evelyn! Sim, ela também, pois era a única que foi sincera comigo. Pensam que não? Pois eu fugia para Amélia Street, lá eu ouvi as histórias dela. Sobre seus amores, seus poderes, sua vida! - berrei. Ryan recuou com medo de que alguem nos ouvisse e viesse saber do que se tratava.
- Eu a entendo. Pedi que viesse, porque apesar do seu desgosto pela família todos nós tememos por sua segurança por todos esses anos.
- Agradeço a preocupação, mas como podem ver, e sei que estão vendo. Cresci e muito bem. Sou a cara do meu bisavô! E nem me pergunte o quão parecia eu sou com ele. Espero que o tempo trate de estripar o nosso clã do sangue podre, do sangue aguado que os fracos estão concebendo. Quero os Mayfairs fortes novamente! Ainda bem que meu avô não está aqui para ver o que vocês se tornaram! Ele podia ser detestável, mas era também um bruxo, aceitava seus poderes e era tão fisicamente parecido com o pai quanto eu sou de Deirdre! E não quero mais saber de conversar com você, e tire todos esses advogados daqui. Mona não precisa de vocês. E Michael já está suficientemente sadio, livre desses remédios e ciente para se cuidar!

Ryan saiu. Teve medo de mim. O que era bom me deixariam em paz por um bom tempo.
Queria ver a Velha Evelyn, Mona talvez fosse buscá-la para mim.... Veria isso.


Cap 6. Destino e passagem.

Era noite mais uma vez, depois da tarde agradável com Mona e Michael senti o alivio do convívio com quem nos ama, com quem nos quer.

Com meus pais sempre me senti tão estranha, indesejada... Um estranho no ninho.

Mas não com eles. Mona entendia dos sentimentos e sensações que só as bruxas têm. E Michael, ah, como podíamos entabular longos debates sobre qualquer assunto.

Tão irlandês, tão crente como todos eles. Posso jurar que acreditaria em fadas e duendes.
Ah, Michael é um homem maravilhoso. Eu poderia amá-lo, e o amei. Mas como sempre falo, há amores e amores. E um amor não pode ser seu, se é de outro.

O que havia acontecido entre eles, era forte. Havia amor da parte dela, amor não. Eu chamaria de desejo, de uma necessidade de se aventurar. E ele, era grato. E mesmo assim seu gênio, sua moral italiana gritando que era errado. Errado estar usando aquela garotinha frágil para esquecer que sua mulher, sua mulher jurada estava por ai, com uma espécie de monstro, ser estranho. Lasher.

A noite, lembrei que Aaron havia ligado. Queria me encontrar. Outra pessoa com quem não me importaria de encontrar. Ele era muito importante pra mim. Me deu luz e orientação quando eu só via trevas. Quando o meu mundo era resumido a experiências do vodu, rituais estranhos. Minha vida pessoal eram festas, andanças, loucuras juvenis. Ele me deu orientação, me deu uma direção. A orientação que precisava. Não uma vida cheia de regras e moralidades. Ensinou-me a lidar comigo mesma. Com tudo que sou.

Me preparei para ir jantar com ele, num dos únicos restaurantes que eu conhecia e ainda estava aberto.

Seda, muita seda. Sempre adorei o toque da seda em minha pele. A sensação deliciosa do contato dela comigo, quando andava. E um toque em especial era delicioso, a sensação que percorria minhas coxas quando um parceiro as tocava com sua mão entre a seda e minha pele.

Seda vermelha, um vestido decotado, mas não exagerado. Um colar simples de prata com ametistas. Meias-calças pretas, sapatos com saltos altíssimos e pretos também. Minha produção aquela noite, foi completa com o toque do que sou eu, uma jaqueta de couro, justa, feminina, decorada com tachinhas metálicas, e zipers nos punhos. Nada que tirasse o requinte do vestido, ou não combinasse comigo. Era eu, simples.

Desci as escadas, Michael e Mona conversavam.

Passei para perguntar o que fariam essa noite.

Mona comentou que iria jantar com a velha Evelyn e dormir com ela. E Michael, bem, esse me falou que ficaria em casa lendo Dickens.

Apenas um murmuro de interrogação passou por minha mente, um sonoro 'hmm'.

Perguntou se eu gostaria que ele me levasse, ou fosse comigo, aceitei.

Esperei uns bons minutos antes de vê-lo descer belo e masculino, com um cheiro,um perfume forte mas delicioso. Senti vontade de cheirá-lo, lhe beijar o pescoço,sentir os milimétricos pêlos crescentes de sua barba.

Sorri de minha recém-descoberta capacidade de pensar num homem por doze horas seguidas e imaginar todos os meus desejos concretizados nele.

Finalmente sozinhos, bancos de couro,seda e minha pele. Contatos deliciosos.

Conversas animadas, vivacidade, blues tocando na rádio. Nova Orleans sorrindo para nós dois.

Sem uma espera minha, o carro parou. E nem estávamos perto de nosso destino.

- Quando você chegou, eu não tive medo apenas por sua semelhança com Deirdre, mas foi porque exatamente aquela noite, Julien apareceu para mim.
- Como é? Meu bisavô... Você o viu? O que ele te contou?
- Sua vida, sua morte, seus planos. Estou desesperado por tudo isso. E há Mona, e você, e Rowan desaparecida. Essas bruxas vão me enlouquecer. Estou te dizendo Nina.
- Eu não duvidaria, mas como os homens de sangue irlandês você sabe que tudo isso existe e isso te assusta. Porque ele não veio a mim? Estive tão próxima, por isso a presença dele estava tão forte. Ele me botou em transe noite passada... Não, não deveria falar disso.
- Você fala parecido com ele. Falta-lhe o sotaque francês e a pressa de ser tragado novamente para o éter do invisível dos espíritos presos a terra. Estou começando a soar especialista em fantasmas, bruxas e esse tipo de coisas. Loucura eu te digo, loucura!
- Agora vamos! Me conte tudo quando encontrarmos Aaron, estou certa de que falará com ele sobre essa conversa, poupe sua bela voz e conte a nós dois ao mesmo tempo.

Ele concordou, mexeu a cabeça em sinal afirmativo e ligou o carro novamente.

Aaron já nos esperava. Parecia não ter envelhecido um dia desde a última vez que nos vimos. Dois ou três anos antes.

- Nina! Você está belíssima. E trouxe Michael com você. - Aaron veio até mim, me abraçou e nos conduziu para a mesa.
- Ah, claro. Michael está seriamente preocupado comigo. Eu teria preocupações por quem tentasse me machucar, esse sim estaria numa enrascada.
- Ainda não acredito nisso, prefiro estar por perto.

Conversamos bastante sobre as mortes, e finalmente eles começaram a me falar sobre anomalias genéticas e exames. Falando sobre pares de cromossomos extras, união entre bruxos, consangüinidade e uma raça diferente de mamíferos da qual Lasher parecia fazer parte. Era de se esperar que depois de séculos, a ciência começasse a explicar tudo. Até mesmo um recém-nascido que cresce numa velocidade absurda e é capaz de nocautear um Thor como esse Michael...

Entre pratos e bebidas. Acabei descobrindo que nós três compartilhávamos de um gosto semelhante para bebidas, apesar dos dois me acharem muito nova para entornar quase meia garrafa de vinho sozinha em meia hora. Certo, sexismo uma hora dessas?

- Agora conte-nos.

E ele contou, falou sobre Julien e seus segredos.

Falou sobre seus amores, poderes, sobre a família, Lasher, seus filhos, suas esperanças. E do que ele esperava de nós.

Depois de tudo que ouvimos, sobre tudo, e a profecia...

- Há mais entre o céu e a terra do que pode supor a nossa vã filosofia. - me resumi a dizer.

Aaron nos falou sobre suas desconfianças com a Ordem, algo estava acontecendo e ele não sabia explicar o que. Coisas aconteciam sem que ele as tivesse ordenado.

- Vocês entenderam a profecia? É sobre nós, é o agora. Não vê? É você, é ele. É a ordem, os médicos. As mortes, não vêem?

Pronto, foi o que bastou. Meu corpo entrou em convulsão, tremia, minha vista embaçou. Os calafrios, a vertigem, a sensação de perca de tudo.

- Ele virá. Ele virá. Nós duas, nós duas! Ashlar! Meu Ashlar.

Mais ou menos uma hora depois acordei em meu quarto. Michael segurando minha mão me olhava preocupado...

- O que aconteceu? Não, não me diga. Desmaiei, premuni alguma coisa. Quando acontece, não me lembro do que digo. O que falei?
- Ele virá. Ele virá. Nós duas, nós duas! Ashlar! Meu Ashlar. - respondeu.
- Não sei do que se trata... O que o santo tem com isso? Acho que só no futuro entenderemos o que tudo isso quis dizer.

Ele se foi.


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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/13/2011, 9:37 pm

* olha o clima ficando boom/ ei gente, ninguém vai comentar nada mesmo??*

Cap 7. Teatro do Amor Absurdo, a simbologia do sexo dos fantasmas.



[color=whiteNão posso dizer que me lembro de algo da decoração ou do ambiente, eu não estava ali. Estava, mas minha mente flutuava no quarto ao lado.

Procurei me sentir mais relaxada, pois talvez isso aliviasse a pressão que esses espíritos estavam impondo a mim.

Não gostaria de descrever todos os pormenores, de como tomei banho, me troquei e tentei dormir.

Tentei, eu disse.

Usando um vestido de seda negra, passei a vagar pelos corredores.

Subi, desci as escadas. Desci, subi as escadas. Fui ao escritório, biblioteca, salão, cozinha..
Rodei e rodei para parar na frente da mesma porta depois de todas as viagens.
Eu poderia até dizer que ser Mayfair é virar instrumento para os planos das forças invisíveis dos espíritos. Mas talvez quem não nos conheça, diga que isso é só ser humano.
Julien ali na janela poderia explicar melhor, o vi sorrindo para mim na janela no fim do corredor.

Para quem um dia venha a pegar esses escritos, minhas atitudes pode parecer abruptas, sem motivos... O ponto e vírgula é um suspiro profundo, ponha isso na sua leitura.

O contato frio da maçaneta com minha mão fez calafrios percorrem meu corpo. Iniciou uma reação em cadeia; meu corpo agiu como se não fosse meu, agindo sob seus próprios designos egoístas. O trinco girou, produzindo o clique metálico, que com o silêncio sepulcral da casa, pareceu um som estranhamente alto.

Existia um desejo interior que poderia me rasgar por dentro que não fosse satisfeito, um sentimento inflamado que estava me causando uma sensação de perca do chão, uma neblina completa dos sentidos. Só havia o desejo, e minha necessidade de livrar-me dele.

Quando finalmente parei de resistir aos meus impulsos, passei pela porta muito silenciosamente, porque talvez só quisesse estar perto. Não tão dentro.

Mas ele me viu; ou pensou estar vendo outra pessoa. Até mesmo a textura da seda prendeu seu olhar. Largou o livro, e viria ao meu encontro, se não tivesse sido surpreendido com minha própria caminhada em sua direção.

Pensando bem, não existiram motivos. Não digo que me pergunto os motivos, não existe resposta. Não foi egoísmo, nem apenas a luxuria, muito menos por distração. Foi uma casualidade, conseqüência de vozes, sensações, e um ambiente finamente projetado por alguém, que não nós. Era um feitiço, não meu para ele, nem dele para mim, mas um feito para juntar-nos naquela casa, sozinhos, aquela noite, naquela cama.

Voltando, nós estávamos atados ao que o destino esperava de nós. Cheguei ali procurando a proteção, ou uma tranqüilidade que só me seria dada pela família, e acabei caindo num feitiço espiritual para fins indefinidos.

Senti algo como correntes de ar, me forçando, me induzindo. Me fazendo pensar, me fazendo sentir em como seria acolhedor, calmo, estar deitada sob o peito largo, com os braços de Michael ao meu redor.

Sem palavras, compromissos, ou promessas de amor.

Prossegui meu caminho, sem dar brechas, momentos, ou tempo de reação.

Eu não queria que ele reagisse, que falasse, negasse ou aceitasse. Seria e seria.

Seus olhos permaneciam interrogativos como se não entendesse o que iria acontecer, ou exatamente por saber.

Era um homem vivido, experimentado e digamos assim, atraente.

- Porque isso? - falou.

A pergunta se perdeu no ar.

Senti suas mãos pousando em meus ombros. Segurou meu queixo daquela maneira possessiva dos homens de demonstrar carinho.

Desejo, magia.

Caminhei em frente, fazendo com que ele fosse para trás, o joguei na cama.

Ele não estava ciente de que aquilo iria em frente. Mas como falei antes; seria e seria.

Deitada sobre ele, aproximei minha boca e falei com a voz mais sedutora e assustadora que possuo.

- Não é fantástico Michael? Sob o teto dessa casa, tantos morreram, tantos nasceram. Aqui, meu bisavô estuprou a própria irmã, aqui nossa querida Stella foi morta pelo irmão, aqui meu Julien concebeu com sua própria neta. Filhas-neta... Aqui sua esposa matou a própria tia, aqui você mesmo, deitou com minha prima jovem e encantadora, aqui você quase morreu pelas mãos do que viria a ser seu filho. E agora, aqui nós nos entregamos ao feitiço dos espíritos.

Sem mais palavras.

Nos jogamos.

Vestido de seda, pijama listrado.

E o prazer, a sensação de invasão, a entrega. Os carinhos deliciosos e brutos.

Os puxões, arranhões. Sem medidas.

E o prazer, suspiros, horas. Várias e várias vezes. A confiança.

A movimentação dos mistérios em volta da cama.

Fizemos amor bruto, com estranhamentos, quebramos o desejo dentro de nós.

Maravilhoso.

Dormi aquela noite, como não conseguia a tempos. Sem sonhos.

Dormir abraçada a ele, ele e seu cheiro. Seu gosto. O suor, todos os fluidos de sexo pela cama. Adoro esse cheiro.

Acordei só quando a manhã ia alta. Ele já estava desperto. Me olhava, continuava me beijando. Ainda abraçados... Até quando poderia durar?

- Acho que finalmente entendo – Michael falou.
- O que você passou a entender?
- O motivo de ter perdido a ciência de mim, de tudo; a partir do momento em que você entrou nessa casa. Era como se nada mais importasse. Rowan, as mortes, Lasher, o que aconteceu entre mim e Mona. E toda a música do mundo estivesse no brilho azul de seus olhos.

Ele parou, talvez por vergonha de admitir, ou por esperar e saber o que eu sentia.

Conclua sua explicação.

- Você, Nina Marie Mayfair é magica! - exclamou surpreso com o que falava.
- Não. O que fizemos é mágico. Imagine Michael se há algo mais mágico que o ato sexual. A entrega total, a confiança empregada. O mais simples gesto de carinho, que dado por outro seria quase insignificante; entre nós, essa noite, nessa cama nos proporcionou um prazer que não conseguimos explicar. Não é sublime? A projeção máxima do que é o amor: confiança, entrega. O momento mais íntimo entre as pessoas. Não é a toa Michael, que muitas religiões consideram essa junção carnal sagrada. E a praticam em seus cultos como demonstração de devoção as suas divindades. União do masculino e feminino, concepção, prazer. As ondas de prazer que irradiam de nossos corpos durante um orgasmo; o que acha que é? Pecado?Luxúria? Um simples ato de egoismo e traição?- disse entusiasmada.
- Nunca ouvi uma opinião que santificasse tanto o sexo. É sábia Nina.
- Ora, não é bem assim. É claro que existem pessoas que utilizam esse ato maravilhoso, essa benção, apenas para seus propósitos egoístas. São criaturas não explicadas, baixas. Por tudo que falamos te garanto, essa noite, eu te amei, me entreguei e me dou por satisfeita.
- Minhas bruxinhas, queridas. Tão jovens, espirituosas, sábias e cheias de filosofias de vida. Vão me enlouquecer, digo mais uma vez. - disse me beijando novamente.
- Foi linda essa noite. Você me fez bem, quebrou minha barreira. Sempre fui muito só, e me agarrava a solidão por achar que era um lugar comum agradável.
- Era o que faltava, aquele desejo indiscriminado entre nós incomodava, diminuía qualquer possibilidade de uma amizade saudável.
- Acabou! Cumprimos os designos dos espíritos Mayfairs, homem e mulher novamente se devorando num frenesi desesperado sob o teto desa casa.

Me despedi de Michael, o beijando mais uma vez. Debruçada sobre ele, que continuava deitado. Sentiria saudades daquele homem. Mas não era para mim, amor é recíproco. E amor verdadeiro é só um. E Rowan era o dele. O meu, estava por vir.
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[center]
[b] Sai a passos lentos para meu quarto, que na verdade ficava em frente ao outro, não havendo necessidade para tanta discrição.

Eugênia subia correndo as escadas, batendo na porta do quarto de Michael desesperada.

- Sr. Mike a encontraram! Ela está viva. Sr. Mike!!

Engasguei, mas fiquei cheia de felicidade.

Abri minha porta e botei somente a cabeça pra fora.

- Vai Michael!

Desci as escadas junto com ele. Descemos correndo. Animados.

- Eu vou para o hospital depois. Só procurarei Mona, depois poderemos ir. Vá Michael, vá!

Liguei pra todos os números procurando-a, mas provavelmente já estaria lá. A garota era muito bem informada.

Acabei indo sozinha para o hospital...No caminho acabei pensando que haveriam uma multidão de Mayfairs nos corredores. Parentes e mais parentes para perguntar e saber de mim. Ah, para o inferno com eles.

Estava preocupada com Michael e Mona.

Como eu previ, muitos Mayfair.

Metade deles teve acessos de tosse ao me ver, alguns mais supersticiosos viram Deirdre.

Demorei um bom tempo explicando e tentando descobrir onde estavam.
O barulho de saltos no mármore do chão me encantou, quase fiquei hipnotizada alguns momentos. Clac, Clac ,Clac. Onomatopeias a parte...

Estavam lá, só os dois.

A mulher deitada na cama, em nada lembrava a descrição que me fora feita de Rowan. A mulher de pele dourada, cabelos loiros, olhos sagazes, inteligência aguçada. Em nada parecia a Dra. Rowan Mayfair. A herdeira do legado dependendo de aparelhos. Incapacitada. E sem um resquício de pensamento na mente. Triste.

Me aproximei dele...

- Meu querido, não sei o que te dizer. Não sei. Ela ficará bem, prometo a você. Vamos pegá-lo Michael. Todos nós. Ela está segura. Todas estamos. Apenas cuide dela. Esteja perto. Ah,como ela te ama homem. Enfrentou as dores, as provações, tudo para te ver de novo. Fique bem, fique feliz. Nós duas estaremos aqui, para te dar todo o apoio que pudermos. Suas bruxinhas.

Ele me abraçou, estando sentado, grudou sua cabeça em meu peito. Não me largou.

Passando minhas mãos por seus cabelos tentei acalentá-lo dizendo palavras carinhosas...Pobre Michael. Todo o esforço de Mona e o meu em consertar seu coração fora em vão. A imagem de sua querida ali, naquela cama... Aquela criatura atroz ainda solta. Seu ímpeto de justiça e seu ódio estavam frustrados. Ele queria vingança. Ah, meu querido.

Fomos fumar na frente do quarto. As enfermeiras já o olhavam de lado. E Mona parecia
querer ficar só com Rowan.

- Acho que vou para casa. Você está bem assistido aqui. - falei, a presença constante de parentes me deixava nervosa.
- Perdeu o juízo? Acha que vou te deixar sozinha naquela casa, com um assassino sádico por ai? - me puxou firme mas carinhosamente pelo braço.

O beijei rapidamente. Havia uma quantidade enorme de primos nos corredores.

- Eu sei me cuidar. E na verdade vou ajudar a planejar o enterro da mãe de Mona. Já que ela, prefere não participar. Pode pedir para algum primo ir comigo. Elas precisam de você aqui.

Pierce vinha passando pelo corredor quando Michael me largou.

- Prima Nina! Que ótimo saber que está aqui. Graças.
- Pierce querido, você pode me levar para Amélia Street? O Michael aqui acha que não devo andar desacompanhada.
- E ele está certo, certíssimo. Claro que a levo. A levaria até para outro estado se isso a mantivesse acompanhada.

Sorri.

Pierce estava desconfortável em me encontrar. Era noivo agora. E sempre é difícil encontrar pessoas com quem nos relacionamos nessas situações.

Tivemos alguns encontros ao longo dos anos. Ele é belíssimo. Mas não é pra mim também.
No carro,comecei a pensar em como fomos covardes, Mona e eu. Nos aproveitamos daquele homem e de sua solidão. Ah,pouco importava. Sua mulher não teve a capacidade de se esquivar do destino, e nós também não.

A mente de Pierce era tão clara, aberta.

Lembrava de nós. Minhas roupas curtas, meu corte de cabelo, até meu sorriso o afetavam. Tinha medo de sucumbir. É, tem motivos. Pois consegui levá-lo para a cama pouco depois do enterro dos meus pais. Acho que Tio Ryan teria um derrame se soubesse disso.

Noite estranha.

Dormi em Amélia, depois de um monologo longo com Velha Evelyn. Eu falei, falei e falei lhe contei sobre tudo. Até sobre a noite mágica com Michael... As lembranças daquela noite estavam impressas em mim como uma tatuagem. A penetração, os beijos, seu rosto acima de mim, seus olhos turvos pelo prazer. A visão de mim, o deixando mais e mais sedento de mim. Ah, Michael. Esqueçamos disso.

Pela manhã tio Ryan apareceu. Haviam tido uma idéia mirabolante. Os poderosos da família deveriam tentar curar Rowan com seus poderes sobrenaturais. E eu, estava mais do que escalada. Certo.

Fui caminhando para First Street.

Quase desisti quando vi as dezenas de carros parados na frente da casa, e espalhados por toda a rua. Mas faria. “Por Michael”, pensei.

- Nina Marie!

Ouvi essa exclamação umas noventa vezes.

A aglomeração de pessoas me incomodava. Eu seria capaz de ajudar. Mas metade daqueles parentes não sabia de nada, tinha um poder insignificante. E não saberiam usá-lo. Poderia contar nos dedos quantos Mayfair ali ajudariam de verdade. Seria mais pratico descer a cidade e ir encontrar os negros.

Fomos um a um entrando no quarto.

- Escutem. Acredito que a maioria de vocês passou toda a vida ocultando seus poderes, ou fingindo para si mesmos que eles não existiam. Pois bem, vocês tem poderes. Mas não sabem usar. Eu vou tentar ajudar, sozinha primeiro. Depois tentaremos todos juntos está bem?

Ninguém fez objeções. Mona me olhou estranho, talvez achou que eu estivesse subestimando seus poderes. Não tínhamos tempo para tais besteiras.

Me aproximei de Rowan, toquei seu rosto pálido, tentei sentir sua força, sua energia. Nada. Tudo estava fechado dentro dela. Nada fluía. Pus minhas mãos dos lados de sua cabeça, gesto que quase me lembrou o Dr. Spock, mas... Nada. Sem pensamentos, sonhos ou sensações. Havia o nada na mente da mulher... Depois desse exame preliminar resolvi agir.

Tentei enviar impulsos de minha própria energia para seu cérebro. Nada.

Tentei enviar mensagens para sua mente. Nada.

Tentei tudo que havia aprendido com o Talamasca. Nada

Depois disso, liberei os outros.

Cada um de nós, colocamos nossas mãos sob Rowan. Tentando enviar nossas vibrações, por energia e palavras.

- Volte Rowan, eles precisam de você – falei.

Resultado nenhum.

Me senti mal. Não de sentimentos, mas fisicamente. Me sentia fraca, enjoada. Talvez fosse a energia gasta nesse ritual inútil.

Fui para meu quarto, pensando em nada. Vivendo nada. Meu mundo de solidão novamente.

Deitei e dormi...Ainda sentia uma indisposição terrível.

Sonhei, criaturas altas e belas, caminhando majestosas pela terra.

Acordei e dormi por muito dias. Sem que nada de novo acontecesse.

Só quebrava minha rotina ao ir para o hospital, fazer exames e mais exames.

Acabaram descobrindo o par de cromossomos extras na maioria de nós. Apesar de se encontrarem num estado de dormência. Provavelmente o que acontecera entre Michael e
Rowan fora causado por Lasher...

Passava quase todo dia no quarto de Rowan, para ver seu guardião fiel. Michael parado ali,com sua arma e seus cigarros. Lhe dava um beijo rosto e voltava. Minha indisposição não havia passado.

Refeições não feitas e conversas mal ouvidas. Enfraqueci com o tempo.

Recebi muitas visitas nesse meio tempo. A maioria me pedindo para ir ao hospital fazer mais exames. Agora não genéticos e sim clínicos. Diziam que eu estava com uma aparência horrível.

Sentia vontade de ir embora, queria ir para casa. Minha casa...

- Olá? - abri a porta do quarto principal.
- Nina! Está melhor? - perguntou Michael.
- O mesmo de sempre. Ai querido, sinto falta de casa. Gostaria de ir embora. Você acha que já é seguro ir? - perguntei.
- Não,não. De jeito nenhum. Você só irá sair daqui quando eu acabar com esse desgraçado. Ele não vai mais matar mulher alguma que eu puder proteger. - a essa altura, ele já estava de pé agarrando meu braço de novo.
- Relaxa bonitão. Mas se você me pegar assim outra vez não me responsabilizo. - olhei sob meu ombro, Rowan ainda deitada naquela cama. Uma figura imóvel e sem expressão.
- Eu gostaria que você saísse daqui, nem que fosse pra beber uma cerveja comigo, pra me dar um abraço fora desse quarto. Você está ficando tão pálido, apático... Agora me vou, estou com uma dor irritante nas pernas. - o beijei no rosto.

Na manhã seguinte acordei sentindo dores fortíssimas no útero. Como se fossem cólicas, o que era bem estranho. Mas suportei.

A dor incomodava, deixava minha mente confusa. Não me deixava pensar.

Virava-me,rolava, gemia de dor. Mas não iria procurar ajuda, pelo menos não agora. Todos já estavam tão preocupados com Rowan. Eu conseguiria me virar sozinha.

Desci para o café, comi pouco.

Quando tentei voltar para o quarto, simplesmente não suportei o peso de meu próprio corpo, caindo no inicio da escada. A dor era tão forte, era quase como se uma parte de mim estivesse sendo separada do meu corpo. Não conseguiria, não conseguiria resistir.

Sangue, havia sangue. Uma sensação úmida entre minhas pernas. Só poderia ser sangue.

Desespero.

Eram os genes, desenvolvimento precoce.

- Michael! Socorro, por favor. Alguém traga Michael aqui! - berrei com todas as forças que ainda me sobravam.

Assustando todos que estavam pela sala, pelo salão duplo.

Cinco minutos de angustia.

Ver meu querido correndo pela escada foi como ver um paladino alado. Se inclinou até ficar ao meu alcance, parecia que choraria. Viu o sangue que manchava minhas roupas.

- Ele esteve aqui? É isso?Ele passou por mim e atacou você? Porque não gritou Nina? - de pé ele esbravejava seu ódio.
- Não foi ele. Foi você. Fomos nós. Engravidei Michael,não sabia. Era uma dessas criaturas... Michael me leve pra um hospital, eu estou morrendo, homem. - cada palavra fora dita com quase trinta segundos de diferença.
- Não pode ser. Não pode ser! Você não pode morrer por isso.

Me pegando no colo como se fosse uma coisinha qualquer, saiu comigo pela casa, empurrando tudo que via pela frente. Gritando com todo mundo.

- O que aconteceu Michael? - Ryan corria de lado, acompanhando.
- Não sei, teremos que ir ao hospital para saber.

Rapidamente fui jogada muito delicadamente na parte de trás de um carro. Ainda no colo dele. Com meu rosto colado ao seu pescoço, sentia que iria desmaiar.

Acordei muito tempo depois. Tio Ryan estava comigo. Nem sombra de Michael.

Minha visão era turva, estava espetada por um monte de agulhas. Aparelhos mediam todos meus sinais vitais, soro intravenoso, um daqueles prendedores de dedo que mede os batimentos cardíacos, me senti um ratinho num laboratório tendo tudo que é seu analisado.

- Onde ele está?- falei fracamente
- Em casa. Se ficasse teria de explicar muito para todos. - ele me olhava como pena. Estava sozinha novamente. Essa sempre foi a pena deles comigo, estar sozinha. Sem família, sem ninguém.
- Entendo. Tio... eu vou viver? - chorei.
- Vai sim. Você é forte e teve um aborto normal. Mas Nina, como foi que isso aconteceu?
- Você não entenderia. Diga aos outros que devo ter engravidado antes de chegar aqui e por conta desses nervosismos abortei, não precisa acrescentar mais nada.
- Nina... Eu sei que era uma daquelas criaturas. O cheiro estava em você.
- Tio, não! Não deixem eles analisar, não deixem eles tocarem em nada, não deixe!- comecei a me debater e chorar.
- Não deixarei. Se acalme... Você ficará aqui em observação. Por tempo indeterminado. - disse.

Odeio essa palavra. Indeterminado.

Bem, depois de algumas horas o andar Mayfair já estava superlotado novamente.

Eram primos, médicos, seguranças, tios... Todos resolveram que eu merecia uma visitinha.

Mas a sensação de vazio começou a me dominar. Passei a sentir falta daquela vidinha que cresceria em mim. Como poderia ser? Seria uma daquelas criaturas também. Só medo agora.

Medo do que poderia ter acontecido se ela tivesse vingado. Todos nos julgariam, Michael e eu. E o que nasceria de mim? Outro seqüestrador? Estuprador? Que tentaria procriar comigo para gerar mais de sua espécie?

Não, o aborto fora uma sorte.

Malditos espíritos. Porque me forçaram a aquela situação? Eu poderia ter ido a outro lugar , desejado outro homem. Mas não. Eles tinham de me induzir, falar a minha consciência reversa. E eu precisava dele. De seu apoio. Que fossem para o inferno todas aquelas pessoas intrometidas. Eu só queria vê-lo.

Claro, ele deveria estar lá, velando sua querida Rowan. Verificando se ela tinha um fio de cabelo fora de lugar. Mas eu, que sangrei seu sangue, que chorei sua dor, eu que deitei fora o fruto da nossa magia estava ali, entregue àquelas pessoas que sempre desprezei.

Não era hora de maldizê-lo. Mas essa impotência, a tristeza,a fraqueza.

Sempre odiei hospitais e estar em um me deixava enjoada.
Queria ver Mona.
Um ou dois dias depois do meu pensamento em vê-la, acordei com ela ao meu lado.
Parecia ter chorado, estava triste, abalada.
- Como você está? - perguntei
- Preocupada com tudo. Você, Rowan, essa história de me entregarem o legado. A esmeralda desaparecida. Lasher ainda a solta. E Michael a ponto de se matar com aquela arma de tanta pressão que auto-exerce nele mesmo. Ele quer estar lá, quer estar aqui. Quer matar a criatura. Quer segurar a mão de Rowan, quer saber das decisões. Quer vir até aqui, te dar carinho. Quer estar comigo, me apoiando. Vai enlouquecer, te digo.
- Mona querida, eu gostaria tanto de vê-lo. Esse lugar me deprimi, ficar aqui ligada a esses aparelhos, comendo essa comida terrível, sem um cigarro,sem um livro, sem nada. Gostaria que você estivesse aqui por mais tempo. Queria ir embora. Sabe quando tio Ryan vem? - tagarelei.
- Não, mas deve vir logo. Nina, aconteceu alguma coisa entre você e o Michael? - perguntou, arqueando a sobrancelha.
- Eu pensei em não falar. Em não contar nada, mas eu preciso dizer a alguém, e acredito que só você poderia entender. Aconteceu, naquela noite em que ficamos sozinhos na casa. Só aquela vez...
- E você abortou. - Falando como se já tivesse compreendido tudo.
Depois que Mona se foi, eu não conseguia mais ficar naquele quarto. Me desliguei de tudo aquilo. Tomei um banho, tentando me livrar daquele cheiro de hospital.
Não me impressiono em dizer que roubei algumas roupas das enfermeiras. Sinto muito, mas eu não mandei ninguém jogar fora as minhas.
Com toda a dificuldade de alguém que passou muitos momentos deitada, andei.
Andando muito lentamente, quase parecendo a velha Evelyn, a única diferença é que eu não esqueceria meu destino.


Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:41 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/13/2011, 9:39 pm

VAMULÁ GALERA!!!

Fic da Foxy é leitura obrigatória!!! Twisted Evil

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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 3:37 pm

Cap 9. Sem Arrependimentos

Ninguém me incomodou. Caminhei com meus passos lentos e algumas dores.

First Street, cheia de seus casarões, as belas casas de décadas passadas. Tão sólidas e belas como quando foram feitas.

E a casa, a nossa bela casa. Mansão Mayfair. Sede, residencia. A primeira, a única. A representação arquitetônica do mistério que nos cerca. Sua cor, as grades com suas rosas negras. Senti uma pequena vibração quando abri o portão.

A porta estava fechada, mas não trancada.

Onde estavam os seguranças? E os médicos?Parentes?

Dúvidas martelavam em minha mente. Ele teria estado aqui?Matado a todos? Eventos cataclísmicos? Não, loucura Nina.

Tentei encontrar alguém. A sala vazia. Cozinha vazia. Salão vazio. Elevador vazio. Nos quartos só Rowan em seu estado permanente de imobilidade.

Na biblioteca só encontrei os livros. A vitrola de Julien estava lá. Deixei-a tocando. Uma bela opereta rodava na agulha..

Acabei abrindo as portas duplas da sala de jantar, a sensação de estar só me vazia mal. E vibrações vinham dela. Pensei um pouco antes de entrar. Talvez estivesse acontecendo algo de muito ruim ali, me preparei para invocar, enfeitiçar e quebrar tudo se fosse necessário.

O cômodo estava escuro, mas pude ver o brilho da luminosidade que entrava refletindo nos olhos de quem sentava em volta da mesa.

Liguei o interruptor só para me deparar com:Michael, Aaron, dois outros homens desconhecidos e um padre de beleza incomum... O padre em especial me chamou a atenção, mas meu nariz descobriu antes de meus olhos quem era.

- Lasher. - falei, mais alto do que pretendia.

Ele se levantou. Era muito mais alto que os homens comuns. Veio até mim, me beijou a mão.

- Nina querida. Outra de minhas bruxas. Que sorte ter salvado você aquele dia. Com você aqui, aquele que deveria me amar e cuidar de mim, esse homem, meu pai,não terá coragem de me matar.

Puxei minha mão de volta. Não queria contato algum com aquele ser. Que matara pessoas tão próximas a mim, causara sofrimentos terríveis a minha família.

- Se ele não te matar Lasher, eu mato. E a vingança do sangue de Julien será feita. Não se aproxime, se me tocar vou arrancar seus olhos!

Quando tentei atacá-lo, senti as mãos de alguem me agarrando pela cintura. Tentei me soltar, tentei lhe bater, mas o esforço só fez com que eu sentisse uma pontada e me curvasse de dor.

- Solte-a. Você não tem esse direito. - era a voz de Michael. O homem era do Talamasca, e eles por algum motivo estavam tentando proteger Lasher.

Mesmo agora, com Michael me abraçando, deixando com que chorasse em seu peito, não me conformava com a situação.

- Estão loucos? Todos vocês? Ele não deve ser ouvido, ele deve ser morto. Todos, perderam o juízo. - me debatia.
- Pai, deixe-me contar. Vocês precisam saber. Antes de me culpar, antes de me julgar, precisam saber o que aconteceu comigo. - Lasher falou.
- Você jurou que o mataria, jurou! - berrei dirigindo meu olhar para Michael. Era raiva, ressentimento, dor. Choro.
- Não posso. Deixe que fale.

Ele pediu que eu sentasse a seu lado e ouvisse o que Lasher tinha a dizer. Foi o que fiz.

Queria falar com ele. Havia tanto a ser dito. Mas meus ressentimentos poderiam esperar.

Então Lasher falou.

Em alguns momentos precisei segurar Michael que só queria estrangular a criatura com as próprias mãos. Apenas ponto minha mão sobre a sua, e lhe segurando o ombro. Com o olhar queria dizer que se ficasse calmo, que desejava conversar com ele.

Ele parecia estar desamparado, triste, carente. Parecia ter perdido toda a esperança em sua raça. Mas eu não acreditava, e se ele pensasse em se aproximar de mim, morreria.

Conhecemos a história de seu nascimento. Nascido na antiga Inglaterra, filho de uma de suas rainhas cristãs que faziam suas magias as escondidas.

De sua fuga para a Escócia, para a cidade onde nossa antepassada o conjurou como espírito. E de sua fuga para a Itália.

Falou de pequenos seres elementais, de morte aos diferentes.

Contou como foi para a Itália, onde se tornou um frade franciscano. Falou de sua alegria em cuidar dos outros, de como sentia o verdadeiro amor por Cristo. Mas seus desejos carnais o atormentavam, queria ser humano como qualquer outro.

A certeza de ser diferente, de saber que não era como nós. Que não havia nascido como nós, que não fora um bebê, que não funcionava como nós. Crescia exageradamente rápido, por ter nascido sabendo viver. Por gostar apenas de leite, queijo e alimentos pastosos.

Falou da primeira vez que estivera com mulheres, mas que elas acabaram mortas.

O que me fez pensar. Como aconteceu com nossas mulheres. Que explicação teria para isso? Se os Taltos poderiam copular com bruxas e gerar Taltos, porque as bruxas haviam morrido? Como as mulheres normais? Não entendia. Talvez não fossem bruxas de verdade. E porque minha cria com Michael seria um Taltos também?

Sim, começava a fazer sentindo. Lasher ou Ashlar, tanto fazia, era filho de bruxos. Talvez fosse aquela história, a sobre os bebês que andam. Porque não dei ouvidos ao que os negros me falaram? Passei a ignorar minhas dúvidas. Gostaria de saber como conversar mentalmente com alguém. Poderia transmitir para Michael tudo que estava pensando.

Fiquei pensando se Lasher tinha como saber do que acontecera, que eu quase consegui fazer um Taltos. Aquele cheiro ainda estaria em mim? Ele poderia sentir? Reservadamente perguntei a Michael se ele sentia aquele cheiro. Disse que sim, vinha do Taltos. Mesmo que pudessem, o meu cheiro seria confundido com o dele. Melhor.

Contou de seu encontro com o Talamasca, que lhe instruiu muito friamente sobre sua condição. E de sua volta para Donnelaith, onde deveria se tornar padre. Mas a cidade estava sitiada. Os protestantes, procurando acabar com o refúgio dos católicos.
Mentiras. Ele caiu numa armadilha.

Tramada por sua própria irmã. Bruxa. Descobriu-se filho de Ana Bolena, a famosa amante e posteriormente esposa protestante do Rei Henrique.

Acusaram-no de ser um monstro, deformado, criatura do mal. Um ser bom, um ser nobre, um padre. Tão capaz de maldade quanto qualquer humano. Inocente.

Foi rezar a Missa do Galo, como era tolo. Um vale cercado de pagãos, protestantes e ele,o tolo franciscano rezando em sua igrejinha no meio do nada. Idiota. Não era claro?

Mais uma vez, o Talamasca veio. Falando-no que haviam encontrado a fêmea e que esse era o verdadeiro desejo da Ordem. Reestruturar a vida dos Taltos. Finalmente eu conseguia entender. Por isso eles estavam protegendo o Lasher atual.

Mas Aaron, ele não sabia disso. E eu nunca havia sabido disso. E David, o querido David Talbot deveria ser inocente de tal coisa. Círculos dentro dos círculos.

E o que de pior poderia acontecer, aconteceu. O Taltos idiota caiu na arapuca dos elementais. Forçado a procriar com suas pequenas megeras. Mas isso não era o ruim, o ruim era ver o ritual macabro do qual ele fazia parte. Fazer e queimar os Taltos recém-nascidos ouvir aquele relato me enjoou, mesmo que fosse um Taltos, ou qualquer outro ser nunca permitiria que matassem uma cria minha. Senti uma ânsia de vomito e mais uma
pontada de dor.

Desmaiei. Tudo era demais para mim.

Comecei a sentir pena dele, não poderia agüentar. Meu coração fraco, não poderia. Eu devia meu ódio aos mortos Mayfair. Deveria odiá-lo. Odiá-lo.

Quando voltei a mim, estava ali, o Taltos ajoelhado do meu lado. Me senti fraca, pequena,
tola.

- Minha criança. O que te faz tão mal? Sou eu? Me perdoe, Lasher espirito não era eu. É minha história? Porque não a tiram daqui? Aliás, porque deixaram que ela ficasse?
- Porque deve ser assim. E volte para a sua cadeira e fique longe dela. Já lhe avisei outras vezes para não se aproximar dela. Ninguém aqui precisa de você,e estou só esperando acabar essa sua tragédia para lhe enfiar uma bala na testa. Afaste-se dela! - Michael falava. Passando seus braços ao meu redor, simplesmente fiquei ali, pendendo frouxa e fraca perto dele. Meio ouvindo, meio sonhando.

Continuamos ouvindo seu relato.

Sobre as mortes e sobre a sua morte.

Como morreu, pelo fogo. E depois veio a bruxa novamente. E ele era Lasher.

- Agora que me ouviram senhores, podem me culpar? No passado recusei sua ajuda, mas nesse momento estou aqui, pedindo que me ajudem, pois não quero morrer, nem fazer mal a ninguém.


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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 5:50 pm

Foxy parabéns a fic está legal, comecei a ler agora e espero ansioso novo capítulo.
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 5:59 pm

AAAAAAAI * dá saltos,pulos, piruetas *
Que bom que alguém está lendo e gostou!

Fico muito, muito feliz.

Mas tenho que te dizer; o próximo capitulo será o último que posso postar por um tempo. Se bem que eu fiquei tão feliz por alguém estar lendo provavelmente escreverei os últimos hoje.
O onze está incompleto. E os outros quatro já estam na minha mente, só precisam ser escritos.

Enfim, obrigada pelo comentário.

Amanhã postarei o dez, ou quem sabe os outros *risadas maléficas -alok*
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 6:25 pm

Foxy em sua melhor forma!
Gostei muito do primeiro capítulo, quem sabe sua fic não me faça gostar da saga das Mayfair. HAHAHAHAHA
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 9:01 pm

Sua injusta! Evil or Very Mad

Eu não sou ninguém??? Suspect

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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 9:18 pm

Ai Jaja, é que você já tinha lido antes né? Nada aqui é novidade pra você né??
Mas logo sairam capitulos novinhos.

Sorry. Você é o maior incentivador dessa história.

Very Happy
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/17/2011, 11:24 pm

I love you

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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/18/2011, 5:19 pm

Cap 10. Que a Justiça seja feita.

Todos permaneciam parados. Ainda sentados. Estupefatos com tudo que ouviram. Menos Michael. Ele mantinha um sorriso amargo, desde que ouvira tudo que o Taltos falou.

- Vocês acham que vão sair daqui, levar Lasher embora e tudo ficará bem?

Os dois homens do Talamasca tentaram intervir, até Aaron falou em favor de Lasher. Mas

Michael estava irado, injuriado. Os espíritos Mayfair clamavam vingança. Ele seria a mão direita de Deus. Nada ficaria impune. Sem arrependimentos.

- Foi a nossa carne que sangrou. Nós choramos nossa perca. E vocês? Em suas bibliotecas, esperando o momento propicio para se aproximar. Esperando os nossos momentos de fraqueza. O que sabem do sofrimento? O que sabem de Lasher? O que sabem da nossa dor? A nossa dor é menor que a dele? E não tentem levá-lo daqui. - agora, pude ouvir na minha voz a voz de todos os outros.

Durante algum tempo, era o Talamasca argumentando, Lasher choramingando e Michael ameaçando no seu tom de que tudo estava certamente consumado. Como se a criatura já estivesse morta.

Ele recitou o poema.

E eu sorri. Ele não havia perdido. Conseguiríamos. E Julien sorriria também.

A criatura se esquivou quando Michael correu para cima dele.

Saiu da sala, tentando fugir. Teria corrido para copa se Julien não aparecesse ali, parado. Tão nítido e sólido. Seu semblante era de “Não vai passar por aqui.”

E Michael lutava, tentando se livrar dos homens do Talamasca, que teimavam em impedir que matasse a criatura. Tive que intervir.

Sai silenciosa da sala.

Agora Michael lutava com um dos Talamasca, e lhe deu um soco no rosto. O homem veio parar desmaiado perto dos meus pés. Pulei sobre ele e continuei seguindo a perseguição.

Como eu sorri ao ver Michael arrombando aquela porta. Me lembrei de uma visão da pequena Stella comemorando a libertação de Evelyn.

Lá estava Lasher, tentando se esconder sob a proteção do quarto de Rowan. Dessa vez,ela não o salvaria.

Ele choramingava, implorava para não morrer. Dizia que só queria viver, ser carne.
E Michael fazia juras de vingança. E eu, como uma bruxa pagã cantando e rodopiando no corredor. Entrei no quarto. Sentei na borda da cama. Pegando a mão de Rowan e lhe contando tudo que estava acontecendo.

Socos, desvios, chutes.

- Michael, o martelo! - a voz conhecida de Julien.

Ah, seria lindo. Ele ia fazer um estrago.

Pa,pa,pa. Mais onomatopeias. E Michael vibrando o martelo. Me senti uma criança sem limites, apreciando destruição e morte. Gostaria de dar umas marteladas também. Ele deixaria? Não, ele seria o instrumento de nossa vingança.

Então aconteceu algo inesperado, outro Talamasca tentando atrapalhar. Michael lhe vibrou um golpe na testa. Morto! Sorri, estavam merecendo.

Lasher estava péssimo, o sangue escorria, grudava em seus cabelos e ele gemia. Chorava, gritava. A própria figura do desespero infantil. Morrer sem entender o motivo. Tolo!

E pela última vez, olhando pelo peitoril da janela, Lasher viu uma de suas bruxas. Ele disse: - É, já vou. Espere Antha querida, não vá.

Um último golpe e pronto. Estava acabado. O corpo caia do terceiro andar. Sem gritos, sem arrependimentos.

- Acabou. Michael querido. Você o matou. Ande, venha aqui. Deixe-me abraça-lo, meu vingador. Vingador de todas nós.

Mas ele saiu correndo. Continuou martelando e martelando a criatura. Esmigalhando todos os ossos de sua face. Mesmo sem um resquício de vida, ele continuou martelando.

Enfiando-lhe o martelo no pescoço.

Desci pela casa, segurando minha própria dor. Meu útero parecia que iria explodir de dor também. Mas precisava estar com ele.

O abracei pelas costas. Passando os braços em volta dele. Ele sentia dor, dores. Pobre Michael. Meu querido. Meu querido. Porque tudo comigo acontecia daquela maneira? De uma hora para outra? Mal um mês se passara e eu já sentia por ele algo que nunca sentira
por homem algum.

Ele não conseguia mais andar, se mexer, falar.

Sentei no chão próximo a sombra noturna do carvalho.

A cabeça de meu querido repousando em meu colo. Ainda sentia dores. E eu não conseguia mais olhar para o corpo mutilado de Lasher. A dor ia e vinha. Precisávamos de um hospital, meu Deus. Não conseguiria carregá-lo para qualquer lugar, e mal conseguia me sustentar sobre as pernas.

- Ele não pode ficar aqui. Dessa maneira. - falou
- Eu sei meu querido, eu sei. Mas eu não consigo. Michael, acho que estou doente. Acho que aquele aborto me causou alguma doença. Não paro de sentir dores. E ainda caminhei do hospital para cá. Posso tentar te ajudar, mas não sei se posso. - falei, acariciando seu rosto. Ele tremia.

Enquanto Michael recolhia os restos, eu fiquei ali, deitada na grama. Sem conseguir mover um músculo que fosse. Tentar mover uma perna me causaria uma dor enorme.

Comecei a pensar em tudo que fizemos. Matamos alguém. Claro que eu não havia sequer tocado, mas fazia parte de todo um quadro surreal. Deitada na grama, sentindo-na pinicando minha pele. Estiquei os braços. Puxei punhados da grama.

Senti Michael deitando novamente ao meu lado, deveria ter terminado o que começara. Rolou para perto de mim, com sua cabeça encostada em meu peito. Dormi. Ou a dor me fez dormir. Tanto fazia. Éramos um casal de vingadores, sofrendo de nossas feridas de guerra. Meu querido. Sangue jurado. Sangue correndo em nossas mãos.

E a chuva começou e nos molhou. Era a chuva das bruxas para lavar nosso sangue.


Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:46 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/18/2011, 9:50 pm

Foxy passei por aqui e como imaginava a fic está legal, você comentou que será o ultimo capítulo e ira parar por um tempo, bom fico na espera do restante pois sinceramente gostei.
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/19/2011, 12:09 am

Selo de qualidade Foxy!!!

Maravilha de Fic. O universo Mayfair que tanto gostamos.

Parabéns, querida!!! cheers

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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/19/2011, 10:05 am

=



Só pra ressaltar
eu num to lendo aqui... mas to achando a Fic o maximo @__@
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/19/2011, 11:50 am

Eu falei que ia demorar a sair novos capitulos, mas o onze já tá pronto, e o doze tá no meio.
Eu fiquei ligeiramente triste e sem empolgação por pouca gente estar acompanhando; mas como deve-se ter consideração com quem está do que se incomodar com quem não está, farei o possivel pra terminar logo.
Postarei o onze hoje ou amanhã.

Fico muito feliz pelos comentários; eu realmente estou orgulhosa dessa fic.
Pois é muito dificil encontrar esse tipo de narrativa das Mayfair até mesmo em inglês, em português então; raridade rarissima.

Enfim, thx forever.
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/19/2011, 6:40 pm

Cap 11. Voltar ao passado.


Não lembro de nada. Lembro de acordar no hospital.

Meu querido, onde você está? Sentia tanta falta dele. Queria estar cuidando de seus ferimentos. Pajeando seu sonho. Porque ninguém está aqui? Ah, espere. Não abri os olhos.

Deitada, fragilizada, triste.

Uma enfermeira entrou no quarto. Seus passos ligeiros, sua roupa tão branca.

- O que aconteceu comigo senhora? - perguntei. Fracamente.
- A senhorita pegou muita chuva, além disto, estava com uma infecção séria. Teve de ser operada. Estávamos preocupados. Dormia a uns dois dias. O senhor que a trouxe, vem aqui umas três vezes por dia. É o senhor Michael. Marido da Dra. Rowan. Ela acordou sabia? Não, provavelmente não sabe,foi no dia em que a senhorita deu entrada aqui. Opa, estou falando demais. Está precisando de alguma coisa? - tagarelou.
- Sim, preciso que chame Michael, que chame Mona e chame Rowan também. É isso que preciso.
- Claro, eles pediram mesmo para que ligássemos se a senhorita acordasse. - olhou novamente meus sinais vitais e saiu.

Continuei lá, pensando na minha condição.

Acredito que precisaria de muito tempo para absorver tudo que aconteceu. O histórico da família, tudo que fui descobrindo sobre Lasher. Sobre as mortes,suas histórias. As mortes que presenciei e o que aconteceu comigo mesma. Estava nervosa, perdendo meu controle. Estava precisando de alguém. E não gostava disso.

E ainda existia aquela minha profecia.

Quem seria ele? E as duas mulheres? E o Ashlar ? O que teria com isso? Se Lasher já estava morto... Tudo muito estranho. Mas como tudo que se trata de futuro a melhor maneira de fazê-lo acontecer é seguir sua vida da maneira como seguiria se não soubesse nada a esse respeito. No meu caso, sair desse hospital, ir para casa e continuar minha rotina.

Respiração fraca, uma magreza terrível, senti ter emagrecido três, cinco quilos.

Podia ver meu peito subindo e descendo, e a camisola indo e vindo. Cataloguei tudo que existia no quarto. Cada poltrona, cada remédio, tudo.

- Michael querido. Meu querido. Ele se foi. Estamos seguras, seguros. Michael querido. - delírios de febre.

Ah, que quarto escuro. Não conseguia ver nada. Opa, meus olhos estavam fechados novamente. Os abri, e vi outros olhos brilhando. Eram azuis. Lindos. Vivos. Como os meus, e muito diferente do que eu estaria parecendo agora.

Era triste, lúgubre, escuro.

- Você pode me perdoar? Eu não fui forte o suficiente para assumir o que fiz. Deixei você aqui, sozinha uma segunda vez.
- Não há nada para perdoar. Seu erro é achar que preciso estar acompanhada. Eu precisaria que alguém pensasse em mim, se preocupasse com o que acontece. Mas posso lidar bem com o estar sozinha. Fique em paz.

Vi Rowan se aproximando, como era bonita. Uma beleza fria. Não me agradava, e saber que ela, que ela era a culpada. E que o tinha. Era injusto.

- Nina. Saiba que pode ficar conosco o tempo que precisar, e terá todo o apoio que nós pudermos dar.
- Ah, não se preocupe. Eu não vou ficar. Quando sair do hospital vou para casa. Nem se incomode com isso. Não há nada que eu precise, e vocês possam fazer. - falei.

Quando finalmente consegui sair daquele hospital eu já era parte da família novamente. Eles falavam comigo, e me cumprimentavam. Era estranho. Sair de lá, me custou quase dois meses. Mesmo estando ótima. Em perfeito estado e bem mais saudável. E tendo ganhado provavelmente meus cinco quilos de volta.

Passei pela casa em First Street. Precisava pegar minhas malas.

Descobri que Michael e Rowan estavam viajando; muito melhor. Eu não precisaria encontrá-los. E poderia voltar para a minha casa. Rotina. Minha casa antiga e sólida em Roma. Toda feita em pedra. Uma estrutura quase espartana, em sua simplicidade.
Aqui se inicia um momento estranho, e o mais crucial da história...

A casa estava literalmente um túmulo. Eu em particular sentia ares de morte em cada parede. Ao menos minha saúde estava bem.

Eu só queria ter voltado pra Roma aquela tarde, se tivesse; nada disso aconteceria. Ou talvez sim, o destino é imprevisível, e nos persegue.

O caso é: depois de passar em First Street parei em uma lanchonete que era minha favorita na cidade.

A comida de hospital, vocês sabem como é. Nem em um hospital cinco estrelas eles fazem questão de nos trazer um belo prato de camarão.

Outro dos ventos estranhos da Louisiana.

Finalmente o aeroporto.

Finalmente a civilização européia. O Velho Mundo.

Minha casa em Roma. Sonhei com ela até encontrá-la de novo.

Mas, depois de tanto tempo, criou-se em mim, uma simpatia pelo comportamento pitoresco de minha família. Talvez eu sentisse falta da aristocracia em sua casca enxovalhada. Sentisse falta dos sorrisos de conveniência. Ser Mayfair é isso também. É como ser uma dama em sociedade, e uma vadia na cama. Dama e cama... Interessante não? Mas enfim, sentia falta principalmente dele. Não sei se dele, ou de um companheiro de poder.

Minha tataravó tinha razão: “Deixe que ela fique com o irlandês, ele terá o sangue poderoso para fazer a bruxa.”

Esse em especial, mexeu comigo.

Mas se está lendo isso, terá de entender: Eu não sou uma simples personagem de história. E eu nunca fui o que fui nessa história. Foram os espíritos. E foi ele. Me amoleceu por dentro. Me transformou. Mas, me fez voltar a cultivar rancor. E até o fim dessa história, vão ver que gerou o que virá a ser sua desgraça.


Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:49 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/20/2011, 5:46 pm

Cap 12. A profecia

Então o tempo parou.

Como na minha breve gravidez, minha vida parecia um turbilhão do nada.

Era só o nada. Claro, haviam os sussurros, os passos, os sonhos. Mas nenhuma pessoa realmente. Minha capacidade de não precisar de ninguém foi bastante útil nesse tempo.

Além de não haver ninguém para ser visto, eu não queria ver ninguém.

Precisava de tempo para entender. A vida e a morte tão perto em questão de meses.
Quase morri, quase matei. Vivi e quase gerei vida. Continuo com minha teoria de que isso fazia parte do ciclo Mayfair. Quase morrer, amar, viver, gerar, espíritos, dinheiro, arte, sexo, fantasmas, heranças, gerações, legado.

Eu particularmente não via motivos para o meu próprio interesse em voltar. Já vivera experiências ainda mais intensas. Mas talvez por envolver os segredos mais profundos de algo de que me orgulho tanto, me tocou realmente. A magia. Ela é tudo que sou. É minha identidade. E ali estava, o segredo de nossa magia. E as conseqüências dessa magia.

Alguns meses foram suficientes para que os parentes passassem a me ligar menos, e me procurar menos. Tirando uma visita de Aaron, continuei na minha solidão programada pelo tempo que desejei.

Mas, esse tempo foi curto. Acredito que em um mês e meio mais ou menos, eu tenha marcado minhas passagens para Nova Orleans. Preferi não avisar.

Nesse momento da história preciso comentar novamente algo que não tem relação com ela; um segundo encontro com vampiros. Desta vez, vi um homem louro, com longos cabelos lisos, uma beleza nórdica e indescritível. Não há palavras que eu possa usar para dizer como seus olhos azuis transpareciam sabedoria e autoridade. Não imagino qual seja seu nome, mas soube que era um vampiro. A pele muito branca, e quando sorriu para uma criança que nele esbarrou vi, as pequenas presas mortíferas. Achei-o perfeito. Ainda mais belo que o outro. O vi no aeroporto de Milão; usando um terno cinza, uma gravata vermelha, tão parecido com um artista. Um escritor excêntrico talvez. Deixemos essa aparição de lado. Há outro homem no meu caminho.

O meu homem resolveu aparecer.

Nova Orleans; com todos os seus segredos, me trouxe a maior dádiva da vida. Amor.
Mesmo que seja um amor condenado, ao menos uma vez na vida amei. Amei com loucura, amei com intensidade, amei como uma bruxa ama, ou faz qualquer coisa: Com Fervor. Só poderia ser ele; meu mistério favorito.

Talvez não sendo ele, teria me apaixonado e morrido por um vampiro. Mas, isso não aconteceu, apenas especulação da minha própria mente. O que aconteceu de verdade vou contar agora, e apenas vocês vão conhecer a história crua, com todos os seus detalhes conhecidos por mim.

A profecia se cumpriu.

O aeroporto de Nova Orleans era uma bagunça generalizada; me lembrou os das cidades do sul que visitei anos atrás. Mas no meio daquela confusão de gente, malas, crianças, funcionários; alguém em especial chamou minha atenção.

Era um Taltos. Pelos deuses, um Taltos!

Senti o cheiro dele, quase ouvi sua voz. Sua altura, o porte gracioso, seu cabelo escuro e tão brilhante. Era um mito se repetindo. A bruxa e o Taltos. Mesmo que em um novo cenário onde as bruxas desconhecem seus poderes, e os Taltos não existem. E precisava ser aqui, a nova capital da magia. As antigas florestas da Gália caíram, mas a mistura do vodu, alquimia e cristandade moravam ali.

Só aqui, para se fazerem rituais macabros em seus quintais, e se enterrarem nos grandes cemitérios seculares. A hipocrisia estava até aqui. Ou talvez nós fossemos mais sincréticos religiosamente que os brasileiros. Nova Orleans e a parte antiga do Rio de Janeiro não são tão diferentes assim.

Mas, estou divagando demais.

Vamos aos fatos; o Taltos estava ali. Eu também. E meu desejo ancestral gritou tão alto que meu espirito se contorceu para ser ouvido. Espíritos são traiçoeiros sabem... Não bastou o que me fizeram alguns meses atrás. Ser um canal de comunicação deles com esse mundo não é nada agradável. Pode parecer glorioso, e é de fato poderoso. Mas ser escravo de entidades egoístas não é nada interessante. E eu, a bruxa; precisava fazer o futuro se cumprir.

O futuro grita tão alto, ele praticamente corre atrás de você. Mas poucos tem ouvidos para ouvir. Eu ouvi, mas não consegui interpretar a voz de Apolo na minha mente. Alguém convoque a pitonisa de Delfos.

Pare de sonhar, é hora de viver.

A profecia era...

Ele virá, ele virá. Nós duas, nós duas! Ashalar! Meu Ashalar.

Ele veio.




Última edição por . Foxy . em 1/11/2013, 10:50 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    9/20/2011, 7:49 pm

Ah, mana, você sabe, no meu caso só não leio por causa dos spoilers. xD
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MensagemAssunto: Re: - Ser Mayfair -    

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