A Ilha da Noite

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 Os Diários de Suzanne Mayfair

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Suzanne Mayfair
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Mensagens : 2
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MensagemAssunto: Os Diários de Suzanne Mayfair   12/6/2012, 11:37 pm

Bom, eu sei que o fórum está meio parado. Queria eu ter escrito essa fanfic quando o fórum estava nos seus tempos áureos. E queria muito que o fórum estivesse assim até hoje, pois é esse lugar onde nós, os fãs da rainha, nos encontramos, trocamos ideias, conversamos sobre seus livros. Não sei se muitos irão ler essa fanfic e não sei se essa fanfic irão os interessar, mas eu queria pelo menos saber que eu fui atrás.
Bom, vou parar de divagar e ir ao que interessa, ao propósito desse tópico: a minha fanfic da saga das Bruxas Mayfair.
A fanfic tem como POV, Suzanne Mayfair, a criadora de Lasher. Nos livros nós lemos que ela é quase uma idiota, não tinha noção do que fazia, que ela não era muito inteligente e tal. E eu quis dar para um novo jeito, uma nova personalidade, escrever uma Suzanne forte, inteligente, que apesar de ter criado um fado para as gerações das bruxas Mayfair, quis se redimir. Eu queria dar uma nova roupagem a ela, resolvi escrever (e talvez reescrever) sobre a criação de Lasher, um espirito tão grandioso e maravilhoso.
E antes de vocês lerem, eu queria avisar que: a) Algumas coisas não são iguais aos livros, apesar de eu ter tentado ao máximo não fugir da essência do livro.
b) Eu não sou uma Anne Rice, então não vão esperando uma fanfic maravilhosa como os livros dela.
c) Eu sei o que a Anne acha sobre fanfic, mas eu como um fã tenho que passar por cima disso pois eu amo essa saga e o único jeito que eu imagino de fazer um tipo de homenagem a Anne Rice, é escrevendo essa fanfic.
d) Talvez vocês achem que Suzanne tenha um poder mais forte e faça mais coisas do que as bruxas Mayfair, mas eu preferi assim. KKKKK.
e) Me perdoem os erros de português e a falta de revisão.

Enfim, obrigado por quem ler essa fanfic. E eu iria ficar ainda mais grato se vocês comentarem o que acharam, do que gostaram e do que não gostaram. E se vocês animarem, eu prometo terminar de escrever essa fanfic.
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Suzanne Mayfair
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Data de inscrição : 27/10/2012

MensagemAssunto: PARTE UM   12/6/2012, 11:37 pm

PARTE UM

Meu nome é Suzanne de Mayfair, eu sou a primeira da linhagem das bruxas Mayfair, uma dinastia de bruxas que irá perdurar até o fim dos tempos. Elas serão as mais poderosas, terão o mundo em suas mãos e nada irá ficar em seu caminho, nada exceto Lasher. E por causa dele eu escrevo esse diário, eu preciso avisar as futuras Mayfair, não posso deixá-las cometerem os mesmos erros que eu, não posso deixá-las pagar por um erro que eu cometi. Um erro que repercutirá na história da nossa família, manchando com sangue as páginas dessa história. Tudo por minha culpa, mas eu não sabia. Por ironia, eu não previ isso, não previ que um espírito criado por mim se tornaria no que ele tornou. Eu falhei. Perdoem-me. Eu escrevo isso para vocês. Escrevo esse diário para contar a história minha e dele, contar sobre tudo o que me levou a criar esse monstro e o que isso provocou na minha vida e na vida de todos que estavam ao meu redor. Vou contar a história da minha vida, desde a minha fuga de Blairgowrie, minha estadia em Donnelaith e a invocação de Lasher.

Tudo começou em 1651 em um vilarejo chamado Blairgowrie na Escócia, eu era a curandeira. Todos me procuravam quando precisavam de uma cura, quando precisavam se livrar de algum mal ou quando precisavam expulsar algum espírito. Eu não cobrava por isso, eu só fazia pelo prazer de ajudar. Eles me procuravam na minha casa, um sobrado feito de pedra com pequenas janelas e poucos móveis, paredes com manchas, e o lugar perto da água com ratos e cupins na porta, mas nada disso importava. Depois de uma visão, eu não me importei mais com nada disso. Eu sabia que a visão iria acontecer dali alguns dias, eu sabia que eles me caçariam e capturariam. E isso iria acontecer porque a inquisição chegaria em Blairgowrie com todas as suas forças e eu seria um exemplo do que eles podiam fazer com as ‘bruxas’. Eu estava preparada, iria usar isso para sair dessa cidade e recomeçar minha vida em outro lugar. Em um lugar onde eu não usasse meus poderes, onde ninguém conhecesse meu passado e ninguém possa me acusar de nada. Eu tinha tudo planejado, estava tudo pronto. Minha trouxa de roupa estava amarrada em cima da mesa, esperando que eu a pegue e corra para o lugar mais longe que eu consiga alcançar. Mas isso tinha que esperar. O dia estava chegando. A fogueira me esperava.

Depois de preparar tudo, me aconcheguei no meu colchão feito de uma palha péssima, apesar das péssimas condições, cai no sono na mesma hora. Tive pesadelos horrorosos, sonhei com mortes e sangue, labaredas de fogo queimando a carne de pessoas inocente, casas caindo e pontes desmoronando. Sonhei com as ruínas de um lugar muito distante, de um lugar que eu não conhecia, um lugar do futuro. Meu futuro. E assim, eu acordei. Estava suada e com meus pulsos e tornozelos em carne viva, marcados por uma corda que eu não tinha usado. Eu não sabia o que tinha acontecido e pela primeira vez, não sabia o que iria acontecer. Isso tinha que estar ligado ao meu futuro, mas eu não sabia como. Se eu pudesse ter interpretado melhor esse sonho, se eu pudesse ter visto o que realmente significava tudo poderia ser evitado. E eu me arrependo disso. Mas naquele dia, eu não queria pensar nesse sonho, não queria pensar no futuro, não queria pensar em nada. Eu só tinha uma coisa em mente, tinha chegado o dia. Seria naquele dia que eu andaria nas chamas. O dia que eu desapareceria e sairia de Blairgowrie.

Como em uma manhã habitual, tomei meu desjejum, coloquei uma roupa limpa e andei pela cidade. Entrei em uma casa vazia, esperei eles chegarem e começarem seus discursos e os sermões de fé. Esperei todos da cidade crerem em tudo o que eles diziam. Esperei alguém falar de mim, falar de meus poderes e do meu poder de cura. E ouvi o padre falar que eu era uma bruxa e tinha que ser morta. Ele falou várias coisas sobre feitiçaria e bruxaria, condenou o que eu fazia e disse que todos aqueles que foram agraciados por mim iriam para o inferno se não o ajudassem a me caçar. Eles pegaram tochas e começaram a gritar pelo meu nome, eles pediam pela minha morte, pediam que eu fosse levada ao inferno e que apodrecesse lá. Eu não iria deixar que eles fossem a minha casa, então fui até eles. Sai de onde estava e fui até a praça onde tudo acontecia.

Eles estavam em um palco improvisado de madeira com suas cruzes e aquele livro. O livro que tanto me aterrorizava. O livro que me perseguia nos meus sonhos. Malleus Maleficarum. Eu fiquei parada, não sabia o que fazer. Preparei-me tanto. Vi e revi as visões desse dia que eu tive por tanto tempo. Eu sabia que a trouxa de roupa estava na mesa, eu estava mentalmente preparada, meus poderes estavam no seu ápice, mas e eu? Eu estava pronta? Minhas mãos que tremiam incessantemente mostravam que não. Eu tentei me acalmar. Esse dia era o dia da minha vida, tudo mudaria a partir dele. E quando eu percebi, ele estava apontando para mim. Aquele homem com uma roupa preta e uma cruz prata resplandecente em seu pescoço. Eu sabia quem ele era, um padre católico que tinha estudado o ‘mal da feitiçaria’ e estava aqui para me matar. E antes que eu pudesse impedir, dois homens me prenderam e deram um soco em minha cara. Eu senti o doce gosto do sangue deslizar pelo meu rosto, eu senti aquele gosto metálico e ri. Meu riso aumentava a cada soco que eles davam, meu riso os assustava. Eles achavam que eu era a Noiva do Demônio, mas isso era o que eles achavam de todas as bruxas. Todos achavam isso, todos aqueles que eram o público do padre. Eles estavam vendo o massacre de uma curandeira que tinha dons da feitiçaria, eles viam uma mulher ser maltratada por dois homens que um dia foram curados por ela. Eles estavam lá apenas pelo prazer de ver sangue, estavam lá pela manipulação da Igreja. E que ironia, não havia uma pessoa que não foi ajudada por ela, não havia uma pessoa que procurou por ela quando estava enfermo ou sofria de algum mal, mas agora eles só queriam vê-la morta. E essa curandeira não se importa. Eu não me importava. Todos esses acontecimentos me ajudariam a sair dali. Tudo que acontecesse naquele dia me deixava mais perto da minha fuga de Blairgowrie. E quando eles me levaram para uma cela, eu fui jogada na parede e estuprada. Cortaram toda a minha roupa e fizeram o mesmo que faziam toda vez que encontravam uma mulher acusada de bruxaria, eles procuravam pela Marca da Bruxa. Um sexto dedo ou uma mancha preta em algum lugar do corpo, até mesmo o cabelo vermelho, o pior de todos. Era isso que eles procuravam, uma mancha, um dedo a mais, um sinal que eu era uma bruxa. E eles encontraram, eu tinha todos. O cabelo vermelho, a mancha, o sexto dedo, a altura gigantesca, tudo que mostravam que eu era uma bruxa. Talvez por eu ser poderosa, eu tinha todos. Eu não sei. Por fim, eles me deram mais um soco e me deixaram no chão frio daquela cela, respirando, engasgando com o meu próprio sangue e olhando para o teto esperando que eles se afastem mais para eu fazer um feitiço para curar minhas feridas.

E agora, escrevendo meu passado, eu fico refletindo sobre ele. É engraçado isso o que chamam de Igreja, religião, bíblia. Na bíblia diz ‘Deus é amor’, mas por que lá nessa mesma bíblia diz coisas tão terríveis? Por que ele condena tantas coisas? Por que ele coloca tantos defeitos em alguém e depois faz os seus seguidores os perseguirem? Por que ele cria um homossexual e na bíblia diz não ser permitido que um homem deite com outro homem? Por que na bíblia Deus é contra tantas coisas normais que todos fazem mas que a bíblia condena e faz dela um pecado, como fazer sexo antes do casamento, ter defeito na visão, ter contato com uma mulher enquanto ela estiver em impureza menstrual, reclamar, ter pensamentos ruins, ter raiva sem porquê, discutir, ser ancioso, beber álcool….? Por que Deus criaria homens imperfeitos e depois os culparia pelos seus próprios erros? Não há uma resposta para isso. Pelo menos, não uma resposta que eu acredite, que condiga com o que eu acredito.

Então, eu prefiro acreditar no meu próprio Deus. Prefiro seguir meus próprios ideais, meus próprios mandamentos. Eu prefiro acreditar que existe um Deus que me ame, que ame meus defeitos, ame meus poderes e que não me condene como a Biblia faz com todas as mulheres. Eu acredito em um Deus que realmente ame. Um Deus que não seja desse livro que tantos falam. Eu prefiro acreditar em um Deus que seja realmente amor.

Quando aqueles padres e seus fiéis voltaram, eles amarraram minhas mãos e meus pés com correntes em uma cadeira de ferro. Eu tremia, estava aterrorizada. Nunca imaginei nesse momento, o interrogatório. Eu estava com tanto medo do que eles iriam fazer comigo. Eles iriam me torturar, iriam me fazer perguntas e eu tinha medo disso. Tinha medo do que eles podiam fazer comigo.

Um homem entrou, levantou uma alavanca e pregos perfuravam minha pele, os pregos estavam no assento da cadeira. Eu gritei tanto. Meu sangue jorrava e eu pedia para que me salvassem. Eu pedia por qualquer Deus que me tirasse de lá. Eu nunca senti uma dor tão dolorosa. Os pregos estavam no meu osso, estavam fincando minha carne e nada doía tanto. Quando ele abaixou a alavanca, os pregos sumiram. E ele começou a me interrogar. Eu não conseguia responder nada, ainda doíam tanto minhas coxas, os machucados nunca cicatrizavam. Eu podia fazer todos os feitiços de cura, dizer quaisquer palavras que nada fazia cicatrizar. Nada me tirava a dor, mas aquele homem católico não parava de perguntar. Perguntou de onde eu vim, se eu conhecia outra bruxa, se eu já matei alguém. Perguntou sobre minhas alianças ao diabo, sobre minha vida… Ele me perguntava tudo sobre minha vida e meus poderes, mas eu não falava nada, não respondia nada, não olhava para ele, nada me faria responder, nem essa dor.

Não aguentando meu silêncio ele me deu um soco e puxou meus cabelos para trás me fazendo levantar meu rosto. Ele hesitou e eu pude ler seus pensamento. “Que Deus me perdoe. Ela não pode ser uma bruxa, ela parece um anjo”. Ele olhava para meu rosto. Olhou através dos meus olhos da cor do oceano e passou a mão nos meus cabelos ruivos encaracolados. Ele deu as costas para mim e eu senti sua respiração ficar mais rápida. Ao virar para mim, eu vi as lágrimas nos seus olhos, mas isso foi antes de me dar outro soco que fez a cadeira virar e cair no chão. Quando ele me levantou, ele sussurrou. “Perdoe-me”.

Ele olhou para meus olhos e saiu daquele quarto. Ele iria falar que eu não respondi nada e que para ele, eu não era uma bruxa. Mas o padre falaria: “Eu sabia, não podia ter mandado um homem que não estivesse preparado ainda para enfrentar a bruxa. Ela o encantaria, faria o acreditar que ela é um anjo, que a beleza dela é angelical. Mas não se engane com aquilo, ela é a serva do Satanás”. Quando o homem me tocou, eu vi isso. Vi o que ele iria fazer. E isso me fez amá-lo um pouco, ninguém nunca intercedeu por mim, ninguém nunca tentou me amar.

Os outros que estavam no quarto me tiraram da cadeira, estancaram as feridas e me levaram para minha cela. E me jogaram lá. O dia passou. E chegou o dia que me levariam à fogueira. O dia que me queimariam viva. Eu seria um exemplo do que a Igreja poderia fazer às bruxas e todas aquelas mulheres que por fazerem coisas incomuns seriam chamadas de bruxas. Esse dia chegou. E eu tive certeza quando eles entraram na minha cela.

Havia três homens na porta quando eu acordei. Um era o padre e os outros dois eram fiéis que iriam me levar à fogueira. Eu não estava com medo. Minhas mãos não estavam tremendo. Meus olhos focavam no futuro que estava à minha frente, naquele vilarejo que eu viveria em breve. Eu era arrastada, levada para o tronco onde seria queimada na frente de um público que me chamava de bruxa e Noiva do Demônio, era levada por homens que eu sabia os piores segredos, eu sabia seus piores pensamentos, tudo o que eles escondiam. Não só deles, mas de todo o vilarejo. Eu sabia quem eles eram, o que escondiam e o que faziam nos seus tempos livres. E agora, eles estavam me mandando para a fogueira. E eu me deixei levar.

Eu deixei eles me amarrarem no tronco e enterrar meus pés na brasa que seria queimado depois do discurso do padre. Os dois homens que me levaram à cela prenderam uma cruz de ferro enorme em mim. Eles esperavam que eu me queimasse, que eu me retrairia, mas eu sorri com escárnio para eles mostrando que nada daquilo aconteceria. A cruz não me machucava. Nada me machucaria, nem o fogo.

“Eis aqui a mulher acusada de feitiçaria e heresia. Eis aqui a Mulher do Demônio. Eis aqui a serva de satanás. Todos vocês serão testemunhas desta punição justa.”, ele gritou para a multidão, erguendo uma grande bíblia com sua mão direita. “Se esta mulher for inocente, ela terá um peso igual ao da bíblia, porém se for tudo aquilo que foi acusada, a bíblia será mais pesada que ela”, o padre colocou a bíblia no contra peso e normalmente, o meu peso passou o da bíblia. “Culpada! E com os poderes investidos a mim, eu condeno essa mulher a pagar todos seus pecados queimando nessa fogueira em brasa”.

Assim, colocaram fogo nas brasas e a fogueira foi acesa. Eu sentia o calor, sentia minhas pernas serem queimadas e o pior, sentia o olhar da multidão em mim. Eu precisava agir logo e não podia os deixar perceber, então comecei a gritar. Eu fechei os olhos e comecei a sentir fogo. Eu sentia o fogo batendo na minha pele, sentia o calor que ele emanava, sentia cada labareda do fogo bater em minha pele e eu comecei a controlar o fogo, comecei a ser fogo. Eu era o fogo. Eu e o fogo nos tornamos um só. E eu fiz com que o fogo não me atingisse, fiz uma proteção, uma parede invisível entre mim e ele. Eu aumentava as labaredas do fogo e com isso gritava cada vez mais, nada podia dar errado, todos deviam pensar que o fogo me atingia e me queimava, me matando a cada respiração. Quando as labaredas se tornaram maiores do que eu, eu comecei a fazer o feitiço de teletransporte. Falei as palavras sagradas e me imaginei em minha casa, ao lado da mesa onde estava a trouxa de roupas. Imaginei que eu voava até minha casa, que eu pegava a minha trouxa e saia antes que eles percebessem. Tentei tornar real esses pensamentos, tentei me materializar na minha casa. Até que cai no chão e eu não sentia mais as labaredas do fogo, apenas sentia o vento, um vento que fazia meu cabelo flutuar, fazia as cinzas da minha roupa surrada voar, mas eu sabia alguma coisa deu errado, não era para eu estar em céu aberto, não era para eu sentir esse vento. Fiquei de olhos fechados ajoelhada no chão, eu estava com medo do que iria encontrar, estava com medo de todos da cidade estarem lá, olhando para mim, aterrorizados, tendo agora certeza que eu era uma bruxa. Esperei algum tempo, respirei fundo e levantei ainda de olhos fechados. E quando abri, eu fiquei horrorizada. Eu não estava na minha casa. Eu não me teletransportei. Ainda estava na fogueira. Mas agora não havia ninguém me assistindo. Todos estavam mortos. Todos foram queimados. Tudo foi queimado. Só sobraram as casas feitas de pedra, as outras estavam desmoronadas. Eu me descontrolei. Eu não percebi. Eu posso ter liberado o fogo e ele atingiu tudo, queimando tudo o que ele pudesse atingir. Eu sou uma assassina. Eu matei um vilarejo todo. Eu queimei tudo o que tinha em Blairgowrie. Eu era o fogo e o fogo queimou todo aquele vilarejo.

Eu comecei a procurar alguém vivo, procurei entre as cinzas, procurei entre as ruínas de pontes esfoladas, procurei ainda debaixo de corpos que estavam queimados, mortos. Não havia ninguém. Eu estava sozinha em meio à um vilarejo que eu matei. 754 pessoas. Todas mortas por mim. Todas queimadas pelo fogo que eu controlava e que me distrai por um momento. Eu só queria fugir, sair de um lugar onde eu seria morta, eu não queria matar ninguém. Eu não sou uma assassina. Eu só sou uma bruxa que perdeu o controle dos seus poderes. E eu nunca vou arrepender tanto de uma coisa quanto me arrependi de ter feito isso. Eu devia ter apenas saído de lá, me teletransportado para outro vilarejo e continuado com meu plano de vida nova. Eu tinha o sangue de mais de 700 pessoas em minhas mãos. Eu era uma assassina.

Eu sentei e chorei. Chorei por todos aqueles que eu matei. Chorei por aqueles que eu conhecia e que uma vez eu curei. Chorei por aquele homem que intercedeu por mim. Chorei até pelo padre que não sabia o que estava fazendo. Chorei por mim e pelos meus pecados. Pedi perdão ao meu Deus e pedi que ele me fizesse pagar por isso. Pedi ajuda para me redimir e pagar pelos meus pecados. E prometi a mim mesma que nunca derramaria sangue inocente, nunca tentaria usar poderes que eu ainda não houvesse praticado e prometi que algum dia iria me redimir por essas pessoas que eu matei. Com essas promessas jogadas ao vento, eu levantei e andei rumo a minha casa. Ela estava intacta e minha trouxa ainda estava em cima da mesa. Coloquei ela sobre meus ombros e antes de sair dei uma última olhada para minha casa. E tentei lembrar de todos os bons momentos que passei lá. Lembrei dos amigos que eu tinha e ao lembrar deles meu coração se apertou, mortos. Todos mortos.

Com minha trouxa sobre meus ombros, rumei a um destino incerto. Rumei à um vilarejo que eu não tinha certeza que encontraria. Rumei a uma vida que seria assombrada pelos fantasmas de Blairgowrie. E quando cheguei aos portões, dei uma última olhada para Blairgowrie. Vi pela última vez a cidade que eu destruí. E derramei uma lágrima. Essa foi minha despedida. Deixei minha lágrima por todos aqueles que morreram, por tudo aquilo que destruí. Então, fui embora. Fui à busca de um lugar que eu seja feliz. Um lugar que eu possa ser outra pessoa. Um lugar que eu recomece minha vida sem poderes.

~FIM DA PARTE UM~~
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