A Ilha da Noite

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 Sobre bruxas e mitologia..

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Tsurara de Lioncourt
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Merrick (20)
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MensagemAssunto: Sobre bruxas e mitologia..   2/14/2012, 7:15 pm

Capitulo 1 - A lenda da suprema rainha

Amanda

Meu nome é Amanda Stregfried . Humana...porém imortal.
Devem se perguntar como... Mais isso é uma longa história...
Nasci em 1647... Onde hoje em dia é chamado Inglaterra. Na época em que caçavam as bruxas e as matavam queimadas ou afogadas... E também a época em que queimavam inocentes acusando-os de bruxaria. Perdi meus pais quando muito nova,eu tinha 5 anos,minha mãe foi acusada de bruxaria e afogada no poço sagrado,um poço natural muito fundo que os cristãos da época diziam ser sagrado...pois tudo que era ali jogado, afundava,depois flutuava queimado.
E meu pai... já é de se imaginar... acusado se ser um feiticeiro,apedrejado e queimado... coisa bastante comum naquele tempo...
E tudo foi feito na minha frente... Naquela época não tinham pena alguma da criança... E porque ???
Porque segundo o costume eu deveria ser morta também!!!
Eu consegui fugir... Corri..corri...corri...e simplesmente acordei no outro dia sob cuidados de uma garota mais velha que eu... Ela era adolescente... dizia ter me encontrado no meio da floresta completamente machucada.
Quando me levantei estávamos em uma choupana aparentemente antiga... a minha volta havia feno... muito feno...um pano branco,muito sujo,e uma bacia com agua.
Como se chama ? - Disse ela.
Amanda.
Nome bonito. O que fazia no meio da floresta sozinha uma criança tão frágil ?
Estive fugindo. Meus pais...mortos.
Mortos? Acusados de feitiçaria ?? - Disse ela como se já conhece a resposta que obteria.
Sim.
Oh! Os meus também...Porém foi a anos... Quando eu tinha o seu tamanho. Foi longe daqui. Fiz o mesmo que ti. Fugi e aqui estou hoje.
Estou sozinha agora. - Eu me sentia triste,desamparada.
Cuidarei de ti. Me chamo Carolina...Tenho 15 anos. Sou jovem...Mas serei sua guardiã e protetora. - Sorriu.
Deveria... Mas aquilo não me confortou... Minha vontade era chorar...Chorar continuamente!!!
Passamos 3 dias sem comer... Eram tempos difíceis... Se saíssemos provavelmente seriamos mortas também. Afogadas no poço.
Depois saímos... escondidas,vagarosamente...
Passamos meses como nômades...Mas isso não vem ao caso... Isso não é a historia que quero contar... O que quero contar começa com a história de Ereshkigal...Na minha terra chamada de Irkalla. Uma grande divindade das mitologias suméria e acadiana,filha de Anu o antigo senhor do céu e Nammu,senhora dos oceanos,além de ser também irmã gêmea de Enki,o deus das aguas doces na mitologia suméria. Rainha de Kur-Nu-Gia : O inferno,Irkalla é governante de demônios,dos deuses obscuros e dos chamados cavaleiros negros,os cavaleiros do submundo, ela é também um dos deuses Anunnaki,a quem Anu delegou o poder de julgar as almas dos mortos,tanto humanos como deuses.
Sua lenda é sempre acompanhada pela lenda de Nergal,seu esposo. A lenda conta que Irkalla é sempre acompanhada por Husbishag,sua secretaria e encarregada do livro da morte,onde é escrito os dias da morte de cada homem e mulher,humanos e deuses,e Namtar,marido de Husbishag,seu vizir e mensageiro, e deus do destino e da sorte.
Certa vez a poderosa rainha teria mandado Namtar como seu representar para falar com Anu e os demais deuses Anunnaki,e foi ofendida pelo jovem deus Nergal,que se recusou reverencia á Namtar em nome da rainha do submundo. Todos os deuses temeram pelo futuro de Nergal,pois Namtar certamente contaria a deusa tamanha desfeita, que furiosa provavelmente enviaria seus cavaleiros para que o matassem. Nergal pouco se importou pois dizia não dar préstimo a uma deusa que jamais em sua vida havia visto. Porém sua empáfia durou até que Enki o advertiu sobre o temendo risco que corria desafiando Irkalla,devido ao enorme poder que a mesma possuía.
Por sugestão de Enki,Nergal desceu ao inferno para desculpar-se com a rainha,após atravessar os nove portais do submundo,se viu diante do palacio de cristal e lápis-lazúli onde habitava Irkalla e toda sua terrível corte. Como sugerido por Enki, Nergal prostrou-se diante da deusa sentada em seu trono oculta por sombras e um manto negro.
Ela lhe perguntou quem ele era e o que ali fazia. Pensando que falava com uma velha horrenda e senil, Nergal demonstrou ousadia arriscando-se a dizer que fora enviado por Anu, com a finalidade de governar o inferno e julgar os mortos em seu lugar, e esquecendo-se das indicações de Enki, ameaçou Irkalla com uma arma.
A deusa fingiu-se amedrontada e pediu tempo para pensar sobre o que faria se recompondo com um banho. Nergal decidiu espiá-la e ficou estupefato ao ver o quão fenomenal e avassaladora era a beleza da rainha do submundo,que então fingiu-se surpresa com a invasão intima e se ofereceu em seu leito ao jovem deus. Nergal totalmente apaixonado, se submeteu aos seus perigosos encantos e deixou-se banhar com a deusa e amou-a por seis dias e seis noites,além de comer e beber de sua mesa durante os dias em que passou com ela, porém quando estava próximo da manhã do sétimo dia,ele partiu em segredo,temendo tudo o que fizera.
Namtar o viu e tentou rete-lo,não conseguindo foi até sua senhora e contou-lhe tudo. Furiosa e magoada, Irkalla enviou Namtar até a morada dos Anunnaki para trazer Nergal de volta, porém mais uma vez Enki interveio utilizando-se de um encanto para mudar a aparência de Nergal e enganar Namtar,que não pode reconhece-lo e voltou á Kur-Nu-Gia de mãos vazias.
Nergal mesmo perdidamente e incondicionalmente apaixonado pela rainha,recusava-se a voltar temendo perder a vida gloriosa e tranqüila nas moradas de Anu.
Irkalla ainda furiosa e agora apaixonada por Nergal ameaçou tornar suas terras inférteis e provocar fome na humanidade se Nergal não regressasse ao seu leito.
Nergal pressionado pelos demais Anunnaki,não teve outra opção senão seguir seu destino e tornar-se senhor do inferno,esposo de Irkalla...

Naquela época acreditava-se muito nesse tipo de lenda... até descobrirmos que não era somente uma lenda.
Constantemente os cavaleiros negros de Irkalla começaram a aparecer,fazer um verdadeiro banho de sangue, matando pessoas e alegando serem ordens de Irkalla. Foi quando os humanos passaram a temer a rainha infernal,que nunca saia de seu trono para nada,nunca havia sido vista,somente seus servos... Homens de aparência muito parecida, cabelos compridos e negros,a barba negra,de alguns curta,de alguns longa,porém suas roupas não eram as comuns armaduras de cavaleiros guerreiros,eles eram vestidos em couro e veludo pretos, muito sofisticado,montados em cavalos puro sangue americano negros,com crinas longas caídas ao lado de seu corpo. Seus olhos brilhavam mais que a luz do sol,como chamas num incêndio,por suas narinas saia uma horrenda fumaça negra que se pudia-se jurar cheirar enxofre!!
Dizia-se também que cuspiam fogo...

Os homens e seus cavalos eram imortais. Antes de morrer as pessoas tentavam feri-los para defender-se,porém a roupa dos cavaleiros e o couro negro dos cavalos eram impenetráveis.
Eles vinham em grupos,armados de espadas de prata de laminas extremamente afiadas e brilhantes,era quase possível ver seu próprio reflexo em suas espadas, vinham em 3 ou 4 por vez,mas nunca os mesmos,apenas um deles vinha todas as vezes : Arteminus. Ele aparentava ser o líder,porém sempre antes de matar alguém dizia “ Irkalla,a rainha do submundo,ordenou á Zentrus,supremo cavaleiro do submundo-chefe, que mandasse a mim,Arteminus,representante oficial de Zentrus, e meus companheiros à cumprir a ordem de executá-lo”.
Zentrus, esse parecia ser o chefe deles,porém nunca ninguém o havia visto. Ele era apenas um nome dito por Arteminus.

Zentrus. Ele era uma lenda. Contava-se que ele era ainda um humano quando Irkalla o conheceu e atraiu-se por sua enorme e avassaladora beleza e convocou-o a seu reino,Zentrus com medo,e aconselhado por sua noiva Persea recusou-se a comparecer em Kur-Nu-Gia.
Irkalla,teimosa mandou que entrassem em sua casa e trouxessem á ela todos que no local se encontrasse.
Assim Namtar liderou os cavaleiros negros até a casa de Zentrus e capturaram-no junto á Persea levando-os até o submundo, e deixando-os diante do trono da rainha,como sempre oculta em sombras e seu inseparável manto de veludo negro.
Com medo da deusa,Zentrus mantinha-se calado tentando inutilmente acalmar Persea,aos prantos. Irkalla despiu-se diante de Zentrus,oferecendo-se á ele e convidando-o a ser seu amante,escondidos de Nergal. Zentrus prestes a se casar com sua amada, por quem estava perdidamente apaixonado, recusou-se.
Irkalla furiosa assassinou Persea brutalmente diante dos olhos de Zentrus, que furioso como nunca o haviam visto, e desesperadamente aos prantos tentou matar a rainha,porém sem obter sucesso Irkalla lhe deu duas opções : Morrer ou servi-la eternamente sendo seu cavaleiro-guerreiro-chefe.
Com a intenção de futuramente vingar a morte de sua noiva,Zentrus aceita a oferta de servi-la e passa a ser o supremo cavaleiro dos submundo.

Já os outros cavaleiros.... Esses nunca falavam. Permaneciam em todas as execuções calados e sem se mexer,apenas de olhar fixo em Arteminus,na vitima ou em seus cavalos.
Foi ai que as pessoas passaram a viver trancafiadas em suas próprias casas,janelas e portas trancadas,cortinas fechadas,tentando inutilmente impedir que Irkalla descobrisse sua existência e mandasse os cavaleiros á sua procura.
Ingênuos.
Irkalla era uma deusa,tinha conselheiros que podiam prever o futuro,ver o passado e observar o presente á distancia. Portas,janelas e paredes não a impediam de realizar suas vontades. Ela era cruel. Impiedosa. Egoísta e imprevisível.
Suprema rainha do submundo.... Como a chamavam seus cavaleiros,todos temiam Irkalla.



Capitulo 2 – Blitzkrieg


E esse é justamente o ponto onde eu queria chegar. O medo de Irkalla. Os cavaleiro e as mortes ordenadas pela deusa.

Carolina e eu vivíamos no sul da Inglaterra na época,estávamos sempre fugindo da onde quer que nos vissem. Só ela sabia da minha existência e só eu sabia da dela. Nesse ponto eu já tinha 16 anos e ela 26. Tratávamos-nos agora como irmãs.
Sim ela era realmente como uma irmã mais velha para mim agora. Cuidava de mim. Me ensinava tudo que eu sabia,e me protegia de tudo com sua espada e sua facilidade em usa-la.
Fugíamos juntas todo o tempo e por mais triste ou fracassada que estivesse nossa situação,estávamos sempre rindo da vida,das coisas que víamos,das coisas que fazíamos.
Não lembro perfeitamente das palavras usadas na época,pois já se passou muito tempo e já me acostumei com a forma atual de falar, mas lembro que ela sempre dizia que Arteminus era lindo. Eu nunca achei. Mas sempre respeitei o gosto dela.
Ela estava apaixonada por ele. Passava dias e noites pensando nele. Por vezes chorava e se perguntava por que ele tinha de ser um cavaleiro do submundo,por que ele não havia de ser um homem bom e que a amasse muito ?
Ela tentava espia-lo de longe todas as vezes que os cavaleiros apareciam. Porém ele nunca a vira,pois como eu disse anteriormente,eles eram fielmente disciplinados,nunca olhavam á sua volta. Apenas cumpriam seu objetivo e voltavam para Kur-Nu-Gia.
Ela sofria. E eu a consolava.
Ah, Carolina. Ela era minha melhor amiga,mãe e irmã.
Sinto falta dela.

Mas minha historia principal é quando eu e ela havíamos voltado para o norte,onde tínhamos nos conhecido há 11 anos atrás. Nos abrigamos numa casa velha no campo.
As coisas estavam um pouco mais calmas agora. Há tempos que os cavaleiros negros não apareciam,as pessoas já começavam sair de suas casas reunidas em família,visitando as casas de vizinhos e passeando pela floresta durante a tarde.
E carolina... Ah,ela já quase ficava louca desejando ver Arteminus outra vez. É evidente que não queria que as mortes recomeçassem,mas ela queria incondicionalmente ver seu amado... Porém eles nunca vinham!!!

Naquela noite Carolina havia chorado muito. De saudades de contemplar mesmo que de longe a beleza de Arteminus.
Era tarde quando fomos dormir.
Tudo estava quieto. Quase caíamos no sono quando ouvimos um barulho.
Quando abri os olhos Carolina já permanecia em silencio sentada em sua cama,atenta a qualquer movimento suspeito.
Fez um sinal para que eu ficasse em silencio. Vagarosamente sentei-me em minha cama e procurei minha adaga,da qual eu nunca me separava. Segurei-a firme.
Carolina levantou-se devagar,tentando evitar qualquer barulho do mais minimo que fosse e pegou sua espada ao lado de minha cama. Com gestos,me disse que a acompanhasse e fomos até a janela. Ela abriu as cortinas... Não havia nada lá fora. Somente o luar clareando as poucas plantas secas que haviam em volta da casa.
Carolina fitou-me e pôs-se a rir:
Você deve ter se mexido demais na cama.
Sua tonta. - Disse-lhe eu agora rindo também.

Voltávamos a dormir quando senti uma mão em minha boca. Gritei alto para Carolina que rapidamente voltou a pegar sua espada para atacar o inimigo,porém alguem também a segurou enquanto outro tomou-lhe a espada das mãos.
Ela também gritava quando nos levaram para fora da casa. Sob a luz do luar,agora era nítida a aparência dos inimigos. Era Arteminus e dois dos cavaleiros negros. Carolina apenas fitava-o estupefata,aos prantos. O homem que ela mais amava na vida,estava prestes a matá-la.
Eu tentava me soltar dos braços do cavaleiro que me segurava porém ele era forte demais. Eu me debatia cada vez mais enquanto Carolina nem sequer piscava.
Carolina faça alguma coisa. Eles vão nos matar. - Eu gritava furiosa e com medo.
É Arteminus. - Ela repetia como se não me ouvisse.
Sim Carolina é Arteminus,mas ele vai nos matar!
Arteminus. – Ela não deixava de repetir.
Carolinaaaa!! – Eu gritava cada vez mais – Por que ? Por que queres nos matar ? Por que ? O que fizemos á sua rainha ? - Agora eu me dirigia a Arteminus.
Irkalla,deusa Anunnaki,suprema rainha do submundo,desejou e ordenou a Zentrus,supremo cavaleiro do submundo-chefe,que enviasse á mim,Arteminus,representante oficial de Zentrus á cumprir a ordem de executá-la,por ter beleza superior á de minha rainha,e ordenou juntamente á sua, a execução de Carolina Fensis,por ameaçar a ordem da rainha.
Eu ? De beleza superior á da rainha ?
Fui enviado para uma execução, não para dar explicações á suas vitimas.

Ele colocava sua espada em direção ao meu pescoço quando Carolina soltou-se dos braços dos cavaleiro que a segurava e tomou sua espada.
Furioso ele tentou ataca-la,porém não obteve sucesso e Carolina enfiou-lhe a espada no peito.
Como foi possível ?? Suas roupas deveriam ser impenetráveis...
Rapidamente Arteminus virou-se para ela,mirando seu pescoço,porém ela se abaixou e matou-o também.
O cavaleiro que me segurava soltou-me,montou em seu cavalo negro e fugiu,seguido pelos cavalos de seus companheiros mortos.
Levantei-me e corri até Carolina,agora debruçada sobre o corpo de Arteminus,chorando como eu nunca vira antes. Seus reluzentes olhos azuis estavam agora vermelhos e suas pálpebras inchadas devido ao choro.
Coloquei minhas mãos sobre seus ombros e chamei-a.
Abraçou-me forte :
Eu o amava Amanda,eu o amava!!!
Oh! Carolina,eu sinto muito.
Ele ia me matar. Eu o amava tanto,será ele não pode ver isso em meus olhos ? Eu o amava tanto,Amanda tanto!!
Eu sinto muito querida,sinto muito,mas temos que sair daqui,ou outros deles virão para nos matar.
Não me importo!
Mas eu me importo! Não vou perde-la! Venha. - Puxei-a com força levantando-a. Ela chorava loucamente mas não resistia.
Fugimos para a floresta. Passamos a noite toda correndo. Tentando ficar o mais longe possível daquele lugar.




Zentrus

Me chamo Zentrus. Acho que não necessito introdução.
O dia em Kur-Nu-Gia nunca é claro,e sim sempre escuro como a noite,porém ao contrario do que os humanos pensam não é repleto de fogo,sangue e gritos. E sim frio,escuro e silencioso. Protegido por nove portais até chegar ao Palácio de Cristal e Lápis-Lazúli onde habitam a rainha Irkalla,Nergal e nós os cavaleiros negros.
Cada portal é protegido por um Goblin e a entrada do palácio é protegido por Cérbero o enorme cão negro de 3 cabeças descrito na mitologia grega.
O palacio é dividido em 3 andares:

Kur : O apelidado “andar da tortura”. Onde ficam as almas condenadas. Cada uma delas trancafiada em uma sala pequena,sem janelas ou portas,onde são obrigadas a conviver diariamente com seus maiores medos,não sabendo o que esperar a cada momento,sendo que não lhes é permitido dormir nunca,atormentados por seus piores fantasmas. Cada vez que uma nova alma chega, magicamente sua sala está reservada e pronta para recebe-la,como se ali sempre estivesse,onde os cavaleiros a trancafiam. Mas é evidente que esse não é meu dever. Meu dever é supervisionar as missões de Arteminus e dos cavaleiros.
Nu : Onde vivem os cavaleiros negros.
Gia : O andar onde vivemos eu,Nergal e Irkalla.

Nergal nunca é visto. Nunca sai de seus aposentos para nada. Nem mesmo eu,chefe dos cavaleiros do submundo,o único o qual sou permitido viver no andar real,em décadas,nunca vi seu rosto,apenas ouvi sua voz.

Naquela noite, eu estava sentado perto dos portões do palácio, com Cérbero, quando Zahir, o cavaleiro que fugiu da missão de executar Amanda e Carolina, chegou desesperado :
O que aconteceu Zahir ? Onde estão Arteminus e Coetrus ?? - Perguntei-lhe levantando-me,ao ver os cavalos deles sozinhos.
Mortos chefe, Estão mortos.
Mortos ? Do que está falando ? Nada pode matá-los á não ser sua a espada de outro cavaleiro negro! A não ser que...Você os traiu Zahir ? Você os matou ? - Perguntei-lhe furioso,ameaçando-o antes mesmo que pudesse responder.
Não chefe,nunca. Eu não seria tolo de trai-lo,ou trair a rainha. - Ele dizia amedrontado.
Então como isso aconteceu ? Vamos,diga-me. - Eu ficava cada vez mais furioso.
A garota. Carolina, empunhou a espada de Coetrus e matou-os.
E ti o que fez ?
Fugi chefe,não quis morrer.
Seus fracos. Covardes. Todos vocês cavaleiros negros!! Mortos por humanos ??? Parece algum tipo de piada. E fugir ? Ora,diga-me Zahir,se não és um perfeito covarde ?? - Eu agora gritava com ele,furioso. E ele tremia,com medo do que sabia que ia lhe acontecer.
Mas chefe...
Cale-se seu inútil. Arteminus era meu mais forte cavaleiro!! Se ele foi morto...imagino que aconteceria o mesmo aos outros. Eu mesmo resolverei isto. Antes que a rainha descubra tamanha incompetência de seus servos!! - Virei-me para os portões – Cérbero ? - Ele veio até mim obediente – Você sabe o que fazer ...
Não! Chefe,espere,chefe.... Nãoooo.....


Fui até meus aposentos e busquei minha espada. Segui até o estabulo e busquei Zuany,minha égua puro sangue americano.
Há Zuany... Há quanto tempo não saímos juntos em uma missão!!
Pude ouvir seu relincho alto como um trovão. Há anos Zuany não saia do estabulo real dos cavaleiros negros. Eu nunca saia do palacio, e ninguém se atrevia a montar nela. Todos que tentaram ela matou. Eu era o único que ela autorizava domá-la.


Capitulo 3 - Kur-Nu-Gia

Coloquei a cela em Zuany e montei nela,passando a entrada do palacio dei a Cérbero e ordem de que não deixasse ninguém entrar ou sair do palácio a não ser que fossem ordens da rainha.
Assentiu com suas cabeças,latindo alto,confirmando que entendera a ordem... Seu latido podia ser ouvido em toda Kur-Nu-Gia.
Cérbero era mal,seu olhar malvado e suas três cabeças assustavam até mesmo os demais cavaleiros negros,os quais ele não obedecia,somente a mim.

Sai disparadamente de Kur-Nu-Gia – eu era o único,além da rainha e Nergal, que podia atravessar os nove portais livremente- até o mundo dos humanos. Zuany corria como nunca.
Tempos de descanso lhe fizeram bem minha querida Zuany.
Ela relinchou alto.
Ooow... querida não relinche deste jeito nesse mundo...poderá ensurdecer os humanos.
Assentiu.

Zuany era chamada em Kur-Nu-Gia de rainha das neves,respeitada por todos os outros de sua especie.
Todos os cavalos do reino eram puro sangue americanos. Todos negros,com a crina longa e assustadores olhos que brilhavam como labaredas de fogo. Por suas narinas saia fumaça negra e quente como o vapor de uma agua fervente...E cheirava enxofre...e também cuspiam fogo... já Zuany era diferente...ela tinha cor de gelo. Não era branca... Era de um leve acinzentado... Seu pêlo era demasiadamente brilhante... Uma linda Gipsy Vanner,ela tinha longos pelos de sua cor os quais lhe cobriam as patas e uma longuíssima crina que pendia ao seu lado. Diferente dos outros,por suas narinas não saia fumaça negra,e sim branca...Com o poder de congelar tudo que a tocasse. E não cuspia fogo. Porém tinha um poder que nenhum outro cavalo negro tinha... O de mutação. Ela podia transformar-se em uma Leucistic Monocled , uma especie de cobra naja. Porém mesmo em sua forma de égua,ela ainda tinha as presas e a língua de uma cobra.

Agora no mundo dos humanos Zuany não andava mais desesperadamente rápido como em nosso reino,e sim andava trotando vagarosamente.
Eram raras as vezes em que eu havia pisado neste mundo após ser levado para viver em Kur-Nu-Gia,e devo confessar que estava muito mais encantador do que em minha época. As arvores agora não eram mais acinzentadas e com aparência morta como antes,eram verdes e a vida lhes era aparente...Mas é logico que sabem como é...afinal são humanos,meus leitores.

Fui em direção a minha missão.
Agora em minha mente eu via perfeitamente a localização das garotas. Porém não haviam formas,não havia um rosto,somente vultos e vozes. Elas estavam no centro da floresta de Akymish.
Estavam em volta de uma fogueira. Diziam que estavam com frio,e uma delas chorava. Chorava muito. Ao mesmo tempo que repetia o nome de Arteminus. Eu pudia ler seus pensamentos,lhe doía o falecimento dele. Ela quase não suportava tanta dor. Sentia um enorme desejo de morrer. Não se importava para onde iria,apenas já não dava mais valor á vida.
Eu sentia pena dela... Eu já não era mais humano e por esse motivo eu era frio.
Completamente Frio. Mas ainda assim,lá no fundo,bem no fundo da minha alma,que havia se tornado negra,ainda havia um pouco,mesmo que muito pouco, do meu lado humano. Ainda existia.
Esse lado... Ah esse lado sabia o que ela estava sentindo,sabia perfeitamente,pois já o sentira antes...Aquela dor na alma,no fundo,aquela dor... como se seu coração estive murchando...murchando...até se dissolver...Mas ele nunca se dissolvia,ficava sempre por um fio,mas nunca se dissolvia,e então a dor voltava... Ou melhor... Ela nunca passava... Ela se negava a ir embora! Já não havia mais lagrimas para expressar. Eu já me tornara seco. Um ser sem lagrimas... pois eu já tinha eliminado todas. Ah meu Deus,como eu queria chorar,mas as lagrimas não saiam.
Sem lagrimas.
Me doía tanto.
Doía vê-la sofrer. Ver sua dor.
E agora doía-me também lembrar minha noiva... Eu daria tudo para vê-la nem que uma única vez novamente... Apreciar nem que de longe sua infinita e avassaladora beleza feminina... Seu rosto...Seus olhos...Sua pele macia... Seu corpo de exuberates curvas.. Totalmente perfeito... A mulher mais bela de todas... Daria minha vida para vê-la uma vez mais...

Aquilo me corroía. Me matava por dentro. Meu coração agora batia forte. Muito forte. Agora eu queria matá-la. Ah como eu queria matá-la. Acabar com sua dor de uma vez por todas. Tirar-lhe o sofrimento profundo que ela sentia. A dor da ausência de Arteminus. Ah como doía nela... E como doía para mim... Agora eu lembrava de Persea. Minha amada Persea... Que a horrenda rainha tinha brutalmente assassinado... O ódio me dominava... Minha vontade era voltar a Kur-Nu-Gia e assassinar Irkalla da mesma forma que fez com Persea... Arrancando-lhe orgão por orgão até que a dor fosse tão insuportável que ela morresse...E impedi-la de gritar durante a tortura,cortar-lhe a língua e amordaça-la... Exatamente como havia feito com minha amada... Porém eu não podia. Tinha de cumprir minha missão. Continuar com meu plano,elaborado ano á ano,mês á mês, dia á dia desde a noite em que me tornei “Zentrus, o supremo cavaleiro-guerreiro-chefe de Kur-Nu-Gia”. Plano em que eu mataria todos em Kur-Nu-Gia. Entregaria as almas á Anu,e o reino á Nergal,pois todos sabiam que Nergal odiava friamente Irkalla e que só ali ficava por obrigação. Por não haver escolha.
Mas isso não me vem ao caso...

Agora eu estava furioso. Com pena da garota que chorava,e desejo de matá-la e eliminar seu sofrimento,e então disse a Zuany que corresse,que fossemos imediatamente em direção ás garotas e acabássemos de uma vez com isso...
Zuany galopava imensamente rápido.

Já nos aproximávamos de Akymish...
Era impossível para um humano ouvir quando nos aproximávamos,pois apesar de rápido e forte,o galope de Zuany era incrivelmente silencioso...
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