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 A Fita Branca

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Kel
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MensagemAssunto: A Fita Branca   2/18/2010, 2:19 pm

Bom, acho que a moçada daqui do forum não curti muito filmes lado "B", observo que se fala muito do círcuito comercial. Postei dois tópicos sobre filmões mega lado "B", um inclusive sobre vampiros (O sueco estupendo Deixa Ela Entrar) e só o Jaja respondeu, super educado....................... Mas enfim olha eu aqui de novo falando de filmes maravilhosos consagradíssimos mas que não são comerciais. Água mole em pedra dura.......

Deixo o comentário na íntegra para o querido Bruno Leal que fez uma crítica ótima sobre esse que com certeza é um dos melhores filmes que já vi, e olha que foram muitos....

Bjos

Crítica do filme “A FITA BRANCA”, de Michael Haneke (2009)
A INCOMPREENSÃO REQUENTADA

Por Bruno Leal

O novo filme do diretor austríaco Michael Haneke (diretor do excelente Caché) foi uma das sessões mais disputadas da última edição do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. E o lugar na platéia justifica-se, a começar pela ousadia do projeto: “Das weiβe Band” (“A Fita Branca”) tenta explicar a origem histórica do nazismo e do holocausto. Para isso, Haneke volta a um discreto vilarejo na Alemanha às vésperas da Primeira Guerra Mundial, cuja paz rotineira é perturbada por uma série de crimes misteriosos. A cena de abertura coincide com o primeiro desses crimes. O médico do vilarejo está voltando para casa, montado num cavalo, quando um arame esticado entre cercas derruba o derruba. Semanas depois, acontecem novos crimes: um celeiro inteiro é incendiado e o filho do barão local é seqüestrado e torturado. Em pouco tempo, o medo a desconfiança se apoderam do lugar.

O que Haneke oferece ao espectador é uma verdadeira anatomia moral e psicológica dos moradores do vilarejo alemão. Em "A Fita Branca", o diretor consegue um efeito parecido com outro filme seu, "Caché" (2005): enquanto o público se preocupa em desvendar os crimes, o filme passa por um deslocamento, indo do espaço público para o espaço privado, sempre com muita sensibilidade. Dentro das quatro paredes familiares, tomamos conhecimento de uma estrutura patriarcal altamente autoritária, marcada pelo signo da punição e da disciplina. Em uma cena, por exemplo, vamos um pai bolinar a própria filha durante a madrugada. Enquanto isso, outro pai, o pastor da cidade, amarra as mãos do filho adolescente na cama para impedir que ele se masturbe (um pecado mortal). Por isso, não surpreende que o professor do vilarejo chegue à bizarra conclusão de que são aquelas crianças, em sua maioria submetida a uma educação fortemente repressora, as responsáveis pelos misteriosos crimes.

A tese de Haneke é que esta estrutura autoritária da sociedade alemã, sobretudo a patriarcal, gerou fortes sentimentos de indiferença, crueldade e desprezo entre a geração de jovens do início do século XX, a mesma geração que anos mais tarde abraçaria a causa do nazismo, tendo em Hitler muito mais do que um governante, mas um verdadeiro pai (sabemos, por exemplo, que o próprio Hitler tivera vários problemas com o seu pai durante a infância e adolescência). Logo no início do filme, o próprio narrador em off avisa: “os eventos que se passaram ali, naquele vilarejo, no início do século, são de extrema importância para se compreender os eventos dramáticos que aconteceriam na Alemanha, décadas depois”.

Essas relações de cunho causal aparecem em diversas marcas simbólicas ao longo do filme. A mais evidente é a tal fita branca do título, que o pastor força seus filhos a usarem. As crianças deveriam usar a fita para que pudessem sempre lembrar a sua condição de pecadores, uma antevisão da estrela de David usada pelos judeus durante parte do Terceiro Reich como elemento de uma estratégia de distinção social. Outra marca que merece destaque é o desprezo com que uma criança com deficiência mental (filho do médico) é tratada pelas demais crianças e adultos do vilarejo, ao ponto de ter seus olhos furados pelos autores dos demais crimes. O uso deste caso não tem nada de fortuito. Sabe-se que a Alemanha assassinou milhões de alemães deficientes mentais, sob a defesa de extirpar os “incapazes socialmente”. Esses crimes são considerados por diversos historiadores, inclusive, como um preâmbulo macabro para o que aconteceria com os judeus. Por fim, o mesmo tipo de alusão pode ser percebida quando um pai grita e espanca violentamente o filho (uma das cenas mais fortes) ao saber que ele havia roubado a flauta do filho do barão. É praticamente impossível não reconhecer naquela cena o mesmo ímpeto de violência praticado pelos SS em campos de concentração.

Tudo isso é contado pela incrível técnica narrativa de Michael Haneke. E a qualidade técnica não se esgota por aí. O filme é todo filmado em preto e branco impecável. O uso das câmeras é fascinante, não somente por conta da função do close-up para registrar as nuances dos personagens, mas também para seguir o ator em sua movimentação pelo cenário. Durante as filmagens à noite, o uso das penumbras e do som estalado provoca arrepios, tal como o silêncio da manhã. Em nenhum momento, há falas exageradas nas bocas dos personagens. Não soubéssemos da magia do cinema, poderíamos dizer que as filmagens ocorreram sem que os filmados soubessem de absolutamente nada, tamanha é a naturalidade das atuações. Um filme tecnicamente impecável, um exemplo de como as imagens podem nos transportar para um universo totalmente diferente.

No entanto, apesar de todas as qualidades descritas anteriormente, o filme é uma tremenda tragédia. E o que explica esta tragédia é o argumento do filme de Haneke. Ao explicar o nazismo e o holocausto pela via do germanismo, em particular por sua estrutura patriarcal castradora, “A Fita Branca” é um enorme passo atrás na compreensão desses fenômenos.

Primeiramente, é preciso dizer que esta tese não é nova. O que Haneke faz é endossar uma idéia do intelectual alemão Theodor Adorno, o mesmo autor dos principais estudos sociológicos da “indústria cultural” (“A Personalidade Autoritária”, 1950). Baseado em pesquisas feitas com norte-americanos que viviam, em sua maioria, na costa leste dos Estados Unidos na década de 1950, Adorno e sua equipe estavam certos que havia uma relação íntima entre opiniões antissemitas pronunciadas, um etnocentrismo acentuado e opiniões de direita no plano político com o fascismo potencial e com características autoritárias. Segundo o alemão, relações de severidade excessiva de um dos pais, em geral o pai, em relação ao filho (algo para Adorno muito típico entre as famílias alemães do início do século XX), fortalece uma série de sentimentos ambivalentes, como aqueles que variam do temor do castigo a transformação da hostilidade reprimida em sadismo em relação às pessoas que a vítima considera como o “outro grupo”. Um caso de transferência de repressão, uma relação de amor e ódio em relação ao pai autoritário (no filme de Haneke, essa transferência fica clara quando as crianças passam a violentar outras crianças, diferentes delas). No caso da Alemanha, esse ódio, nos anos trinta e quarenta, foi transferido para a imagem do judeu, convertido em corpo estranho dentro da sociedade ariana germânica.

A explicação de Adorno para o nazismo e para o holocausto, requentada mais de cinqüenta anos depois por Haneke, é extremamente problemática. Em primeiro lugar, a tese é frágil porque tenta levar para o plano coletivo (das massas) conceitos e justificativas que são usados pela psicologia e, sobretudo, pela psicanálise, no âmbito individual. Ao fazer isso, ela não só trata erroneamente a massa como um indivíduo unificado (psicologização excessiva da história), mas também ignora fatos políticos e econômicos do período histórico do qual se refere. Em segundo lugar, olhar para o passado alemão buscando uma origem retroativa do nazismo é extremamente conveniente. O problema está sempre lá, visível, encubado, pronto para se transformar naquilo que já conhecemos de antemão. Mas isso é apenas um mascaramento do universo marco. Segundo uma série de historiadores, dentre os quais se destaca o francês Michael R. Marrus, a Alemanha estava longe de ser o país mais antissemita da Europa na primeira metade do século XX. Se naquela época pudéssemos apostar em um país onde o holocausto iria acontecer, certamente França e Rússia seriam os mais cotados, tamanho era o grau de preconceito e perseguição sofriada pelos judeus (os famosos pogroms). Em terceiro lugar, do ponto de vista da pesquisa histórica, a história do autoritarismo alemão, do qual a estrutura familiar é o maior exemplo, é uma aposta no escuro. Como é possível explicar a morte de seis milhões de pessoas tendo em vista a justificativa de transferência psicológica? E mais: o que leva a crer (e como medir) que na Alemanha o autoritarismo patriarcal era mais intenso do que em outros países europeus? Não existe nenhuma evidência particular e incontestável que ligue uma coisa a outra. Muito mais correto, pelo contrário, parece ser compreender o antissemitismo como um sentimento existente em vários graus. Até mesmo para o Terceiro Reich, o assassinato em massa nem sempre foi algo planejado, mas ditado por uma série de circunstâncias históricas, ocorridas a partir, principalmente, de 1941.

A tese de Adorno, defendida de forma apaixonante por Haneke, foi duramente criticada e derrubada por dois trabalhos brilhantes no século XX. O primeiro desses trabalhos foi publicado em 1961, pelo maior especialista do holocausto: Raul Hilberg, com a sua obra monumental “The Destruction of the European Jews”. Hilberg chamava a atenção para o caráter industrial do Holocausto, para a natureza fria e burocrática dos crimes cometidos nos campos de concentração, tratados como um negócio qualquer do Estado, que pela primeira vez aplicava todo o conhecimento e técnicas industriais na destruição de todo um grupo social. Ou seja, não é o elemento germânico que está em jogo, mas sim a noção de mundo industrial.

O segundo grande trabalho ao qual me refiro, intitula-se “Modernidade e Holocausto”, escrito pelo cultuado sociólogo Zygmunt Bauman. O livro foi publicado em 1989 e não fortuitamente conquistou os méis importantes prêmios literários do mundo naquele ano. O livro de Bauman é uma espécie de revitalização das idéias de Hilberg, hoje aceita por praticamente todos os historiadores e sociólogos que se dedicam ao estudo do nazismo. Bauman rejeita todas as teses que germanizam e particularizam o Holocausto. Em suas palavras, “o Holocausto nasceu e foi executado na nossa sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano, e por essa razão é um problema dessa sociedade, dessa civilização e cultura”.

Nesse sentido, tratar do holocausto como uma questão de patologia psicológica e marcadamente alemã seria ignorar a incômoda verdade de que o holocausto é o símbolo do fracasso da modernidade. O holocausto é uma questão planetária e germanizá-lo pode ser uma cegueira perigosa. Bauman conclui acertadamente que os defensores da germanização do holocausto acreditam que uma vez estabelecida a responsabilidade moral e material da Alemanha, dos alemães e dos nazistas, a procura das causas está concluída. Em outras palavras, suas causas foram confinadas num espaço e num tempo limitados, para nossa sorte, o passado. Não raro, o nazismo foi durante um bom tempo classificado como uma “doença alemã”, um “desvio da civilização”, um “momento de cegueira”, quando, na verdade, trata-se de uma questão ligada a gênese do mundo moderno. O holocausto aconteceu na Alemanha dos anos quarenta, mas poderia ocorrer na França dos anos trinta. Poderia acontecer hoje, muito mais próximos do que podemos supor. E é isso o que apavora: não vivemos um mundo diferente daquele que produziu o holocausto. Para Bauman, a tese de Haneke não resulta apenas no conforto moral da auto-absolvição, mas também em um tempo de desarmamento moral e político. “Tudo aconteceu ‘lá’ – em outra época, em outro país Quanto mais culpáveis forem ‘eles’, mais seguros estaremos ‘nós’, e menos teremos que fazer para defender essa segurança. Uma vez que a atribuição de culpa for considerada equivalente à identificação das causas, a inocência e sanidade do modo de vida que tanto nos orgulhamos não precisam ser colocadas em dúvidas”.

Quem deseja conhecer este confronto de idéias, “Modernidade e Holocausto” trata-se de uma obra bastante minuciosa. Desmonta os mitos do filme de Haneke um a um. Sua abordagem identifica todos os pontos modernos e burocráticos da indústria da morte nazista, relacionando-os ao modos operandi da modernidade. Méritos para Bauman, que em um certo momento de sua argumentação, expõe como as duas coisas estão totalmente imbricadas: do gás usados nas câmaras da morte aos caminhos das linhas férreas que levavam os condenados para os campos. Elementos consagrados da indústria metalurgia e química do século XX. E tudo isso planejado de acordo com os preceitos básicos e modernos, típicos dos manuais consagrados de administração, até hoje usados.

Assim, se “A Fita Branca” pode ser primoroso do ponto de vista técnico-cinematográfico, do ponto de vista do argumento do roteiro, cuja vida é dada pela direção persuasiva e brilhante de Haneke, trata-se de uma tragédia completa. Para o diretor austríaco (vale lembrar que a Áustria recebeu com flores a anexação na Alemanha de Hitler) o nazismo é representado como um “problema de alemães”. E se a opinião pública compra essa idéia, ainda bem arraigada na mente de certos produtores de sentido sobre o passado, seria a comprovação de que não aprendemos ainda a maior lição deixada pelo holocausto
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Gabrielle de Lioncourt
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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   2/18/2010, 2:26 pm

Eu gosto de filmes de todos os gêneros... sendo um bom filme, pra mim não faz diferença ser underground ou não. Aliás, ATORON os undergrounds. ^^

Lembro-me de ter lido a crítica de A Fita branca na semana passada, em sua estréia. Eu gostei da sinopse dele, me deu mó vontade de ver. ^^

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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   2/18/2010, 2:31 pm

A crítica que postei é de um bom crítico, postei a dele pq achei super completa.

Veja sim o filme, é pesadão mas vale a reflexão seguinte, ninguém sai imparcial do cinema depois deste filme.

bjos
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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   2/18/2010, 4:09 pm

Kelzinha querida.

Calma. Calma. rsrsrs.

Existem determinados filmes que eu (pelo menos) vejo só quando sai em DVD pois cinema anda meio caro...

Há de se levar em conta também o gosto da galera. Tem gente que prefere o cinemão pipoca mesmo. Temos que respeitar, né?

E agora uma engraçada:

Estava há uns meses atras (quando estreou) falando com meu filho sobre um filme sueco diferente de vampiros que estava nos cinemas. Ele me perguntou o nome e eu sem me lembrar que era DEIXA ELA ENTRAR embatuquei um pouco até soltar a pérola: é...BOTA PRA DENTRO!!! Pano rápido, please... What a Face

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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   2/19/2010, 10:12 am

Bota pra dentro???????????????????????????????? *rsssssssssssssssssss
Era quase isso mesmo....
affraid
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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   7/25/2010, 4:09 pm

Esse tempo todo tinha um tópico sobre "A Fita Branca" e eu não vi? =OOOO *se mata*
Eu vi o filme no começo do ano e provavelmente foi uma das resenhas que eu mais gostei de escrever pro meu blog inútil D:

"[faz sotaque]"Das Weisse Band"[/faz sotaque]

Em meio às férias, estava em busca de filmes legais pra assistir e me deparei com um tal de "A Fita Branca"; era um filme alemão com cara de cinema independente e com uma sinopse extremamente interessante. Acabou que eu esqueci do filme, até que vi que estava concorrendo ao Oscar. Uai, o filme é atual e reconhecido! Nada contra cinema independente, de jeito nenhum, eu adoro e surgem coisas interessantíssimas dele, mas esse alardezinho que fizeram com Fitilho "A Fita Branca" - afinal era o favorito pra Melhor Filme Estrangeito - atiçou minha curiosidade novamente.
Eu vi o filme.

Ele começa com uma narração em off comentando que estranhos acontecimentos ocorreram naquele pequeno vilarejo onde a Bela mora na Alemanha, em 1913 e 1914. No decorrer do filme altos crimes misteriosos acontecem, muitas vezes da forma mais nonsense possível.
Aí está uma história de mistério e tanto, mas desde o começo fica a sensação de que é algo a mais. Logo que vi o trailer, me lembrei muito de "A Vila" (o que não é necessariamente bom), mas depois vi que se assemelhava mais aos filmes com crianças do Guillermo Del Toro. Nos filmes dele, nós temos uma história que serve meio que como distração para o que realmente está acontecendo.

Em "A Fita Branca", enquanto os crimes ocorrem, a vida privada das pessoas do vilarejo é mostrada. Temos o Barão mau humorado e a Baronesa descontente, o médico que se amarra na filha (isso porque a Carol desde o começo do filme garantiu que teria pedofilia o.o), a parteira com seu filho deficiente, o professor/narrador que toca piano e tem um romancezinho com a babá dos gêmeos do Barão (eu fui total shipper aqui =),
AH! O Pastor é responsável pelo título do filme e por uma das cenas mais bizarras: após seus filhos o desobedecerem, ele amarra uma fita branca no braço do mais velho e no cabelo da mais velha - isso depois deles apanharem muito - e diz que a fita representava a pureza e tal.
Ele insinua que o filho (o menine com olheiras na foto) ficará com um monte de pústulas e morrerá! Não se enganem, o menino não morrerá de sarampo/rubéola/catapora/gripe suína -q, será porque destruiu os nervos ao ultrapassar a "área da barreira criada por Deus"... Com as palavras do Pastor Serafim. Então o menino foi amarrado na cama o.o
(As crianças precisavam mesmo é de uma Mary Poppins \o/)
Esse cara é tenso, assim como todas as outras pessoas da vila que não cansam de humilhar/espancar/desprezar os filhos e as outras pessoas. Mas tudo muito sutil; nenhuma cena violenta é mostrada explicitamente. Ponto pro filme!

Esse clima de opressão é o ponto chave da história.
Logo após o filme ser lançado, a generalização da crítica era de que ele mostrava as origens do nazismo (vocês realmente acharam que iam falar da Alemanha sem mexer com o emo do bigodinho?). A teoria dizia que a repressão extrema pela qual as crianças passaram serviu como sementinha para a criação de um regime, que por sua vez, também foi repressor. Essas crianças seriam adultas na época da ascenção do nazismo, logo suas colaboradoras (assim como outras crianças oprimidas da Alemanha). Aliás, a suspeita do professor de que elas estavam por trás dos crimes foi uma espécie de prenúncio do que elas poderiam fazer mais tarde.
Essa ideia de que da forma como te julgam você passa a julgar os outro foi resposável pelo nazismo não é nova e já foi derrubada por vários sociólogos especialistas no Holocausto.

Eu, particularmente, não concordo com ela. Claro que algumas pessoas na época podem ter agido como agiram por esse motivo, mas a repressão, o patriarcalismo e rigidez não servem de desculpa até porque isso não aconteceu apenas lá. Os avós de muitos aqui (e até os pais) cresceram num ambiente desses. Outros países também foram assim e alguns são até hoje, ou vai me dizer que o que ocorre no islamismo não é exatamente isso? Toda a pressão qe fazem em cima dos estudantes japoneses que acabam cometendo suicídio também não o é?
O próprio diretor, Michael Haneke, disse que interpretar o filme como algo unicamente sobre o nazismo era uma leitura muito superficial. Na verdade, ele quis mostrar que quando se doutrina pessoas de forma tão ferrenha aquilo vira ideologia e essas pessoas passam a sentir que podem julgar os outros segundo essa ideologia (no caso do filme as crianças julgam até as pessoas que as ensinaram). E isso não é uma particularidade do nazifascismo, mas de qualquer ideologia extremada.
E aí críticos, querem ir contra o próprio diretor?

Assistam o filme! Todo em preto e branco e sem trilha sonora, salvo alguma música que toque na cena, logo você não faz a mínima idéia do que esperar... É inteligentíssimo e extremamente bem feito, com atuações maravilhosas.

E esse menininho é o filho do médico e eu irei adotá-lo por ser muitíssimo apertável *-*"
(era um imagem do Rudy xD)

____________
Tô rindo muito da história do 'bota pra dentro' IHGOIGHPOISGHFOIGH
Acabei de ver o filme e assim, é muuuuuuuito bom. O problema é que de tanto que falaram sobre ele e sobre os prêmios que ganhou eu fiquei esperando ao absurdo de bom e recebi algo apenas muitíssimo bom. Mas recomendadíssimo!
E é isso mesmo que falam: a história é toda uma metáfora sobre a passagem para a adolescência, explora o bullying e ainda arrisca traçar o perfil de um futuro psicopata em potencial.
Sem contar que o sorriso do menininho - quando ele resolve sorrir - é cativante ^^
Infelizmente já vai rolar um remake americano ¬¬°
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Jaja de Lioncourt
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MensagemAssunto: Re: A Fita Branca   7/25/2010, 11:12 pm

Aqui no Rio ainda não saiu... Sad

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