A Ilha da Noite

Para aqueles que amam o maravilhoso mundo criado pela Mestra inigualável Anne Rice. Lestat, Louis, Armand, Marius, Mayfairs, A Talamasca... Todos estão aqui.
 
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 - Narrativas Ficcionais .

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O Vampiro Armand
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MensagemAssunto: - Narrativas Ficcionais .   2/13/2009, 4:00 pm

Bom, eu conheço algumas pessoas que jogam uma espécie de rpg online (incluindo eu), onde interpretam os personagens através de textos. Tenho alguns desses textos aqui, pelo personagem do Lestat em primeira pessoa, que seria interessante compartilhar. São pequenos e sem continuação (pois fazem parte de jogos), mas mesmo assim considero legal de ler.
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O Vampiro Armand
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   2/13/2009, 4:15 pm

Narrativa 1:

Lestat, em noite de tédio e devaneios existenciais, rumando para um pub vampírico (título inventado agora).

Sete dias, sete covas, uma para cada um de nós. Era essa a tão esperada condenação pela qual vagava todas as almas imortais. Não havia mais esperança, tampouco expectativas diante de nossa realidade. Um mundo sem trevas, uma vida inteira sem luz, e quanto mais monstruosidades fossem cometidas, então menos delas presenciariamos. Talvez eu tenha matado muitos anjos em meu sonho de viver a morte, eu sei. Os semblantes daqueles que levei não desaparecem como o sabor adocicado do vinho sangrento que experimento. Cada alma, dia, mês, enfim, anos.
Em fronte ao espelho apenas uma imagem poderia estar refletida. Eu parei diante dele, grande o bastante para meu corpo inteiro, com bordas de ouro para amplificar seu valor. Sim, pai de todos os mortais, acho que esse foi seu filho um dia. Ninguém nasceu para ser servo, ou mestre, todos vivem, todos morrem, mas ninguém descobre qual a verdadeira cor do céu. Eu posso sentir o aroma fétido (em doce tentação) do sangue escorrendo por minha boca, mestre de todas as criaturas, estás satisfeito? Eu posso ser um monstro, mas se como besta for meu destino viver, fico feliz em não ter que fazer parte do seu rebanho.
Esqueci de mencionar um único detalhe; diante do espelho... eu não vejo nada! Meus pecados nunca fizeram parte do seu mundo, e nunca farão. Não há culpa em minha alma, nem purgatório para os males que cometi, posso até sentir o líquido fresco em minhas mãos, mas quem responderia minha pergunta? Para todos aqueles que me condenam; vocês não estão sozinhos também? Observei palavra por palavra ser formada diante de meus olhos, tudo o que tinha agora era um espelho manchado. Minhas garras poderiam ser fortes o suficiente para destruí-lo, eu achei que sim.
Escutei o soar de cada pedaço fragmentado entrando em contato com o chão gélido de meu refúgio, com passos rápidos deixei a mesma morada. Estava cansado de tantos enigmas, o mundo estava diferente, e em certos momentos aquilo parecia ser o ideal para uma mente atormentada. O papillon há muito deixara de suprir todas minhas necessidades, mas diante da loucura não seria descartado. Caminhei com a velocidade de um fragor suave, e a transparência do vento da meia-noite. A lua cheia além no horizonte alertava sobre todos os perigos iminentes. Não me refiro quanto aos lupinos, ou magos, mas aos instintos que residem em meu interior. Aqueles que nem mil cordas entrelaçadas poderiam sofrear.
Lorde de Lioncourt, a que devo a honra de sua presença?
Não precisei ser nenhum sábio para sentir a ironia naquele tom de voz. Era apenas um caitiff proprietário de um bar para sanguessugas. Eu não era bem-vindo lá, mas nenhuma daquelas crianças da noite seriam tolas o bastante para me desafiar.
Certamente que não aos seus méritos – respondi com um sorriso sútil, continuando a seguir meu caminho, sem prestar mais atenção naquele que o interrompera. A boca do inferno não estava mais tão longe, poderia defini-la como a estalagem mais famosa de Londres, se você for um vampiro, é claro.
Uma taça de sangue fresco, Horácio – pedi ao atendente, já conhecido por mim.
Alguma preferência, meu senhor?
O de sempre – foi o suficiente para que ele entendesse o que eu queria. Meus pensamentos no momento estavam tão confusos quanto a validade daquela bebida. Mas ainda assim tornei a bebê-la, sentindo o líquido aquecer meus lábios, esfriando meus sentidos. Um sobretudo negro escondia minha identidade de todos os demais presentes, mas seria isso suficiente? Seria isso o que eu buscava? Perguntas sem repostas viraram rotina, respostas sem perguntas, devo acrescentar que também. Eu já devia saber que a solidão estava chamando por mim, que a solidão buscava por minha companhia. Sim, era esse o motivo de todos os devaneios. 'Mas... diga-me, quem você é?


Última edição por O Vampiro Armand em 4/8/2009, 12:28 am, editado 1 vez(es)
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Jaja de Lioncourt
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   2/16/2009, 3:10 pm

Vamos Armand, assim que puder poste novos textos...

Esse tá muito bom! Smile

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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   2/16/2009, 3:39 pm

Posta mais... adoro textos desse tipo Very Happy

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O Vampiro Armand
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/7/2009, 3:54 pm

Narrativa 2:

- Relíquias do sangue: solidão.


A superfície envelhecida de um pergaminho poderia assemelhar-se com o toque suave da delicadeza de uma mão, mas tamanha inocência facilmente convertia-se em pecado.
Vivíamos todos em um lugar em que a tinta avermelhada passaria a ser sangue diante de uma só palavra. Proferida, escrita, o suficiente seria um único pensamento para isso. Eu observei os últimos resquícios do dia pela janela de minha própria cova, o meu refúgio. O calor daqueles raios jamais viriam a ser experimentados por mim outra vez, aquilo que alimentava os humanos era o pesar que enfraquecia minha mente.
Voltei a escrivaninha de meu quarto, passando a concluir o que havia começado; uma carta, não dar-lhe-ei certeza, mas seria um bom palpite. No mesmo momento as letras que surgiam diante da folha de papel eram iluminadas apenas pelo efeito escasso das chamas de uma vela. Selei o envelope negro com a cera quente que escorria pelo candelabro, acrescentando uma gota escarlate, devo dizer, o motivo daquele aroma doce que continha todos os meus segredos. 'O medo vive somente em nossos olhos – custei a entender que para sobreviver bastava estar vivo, e que nem toda existência funcionava desta forma.
O que mais assombrava-me era a idéia de que nada que fizessemos poderia mudar nosso destino, todos caminhavamos sozinhos, em rumo a um mesmo fim. Nesse aspecto os mortais eram invejados, uma ação singular passaria a ser suficiente para mudar o curso de um rio inteiro. Os grandes sábios de quem já ouvi falar costumavam dizer que magos eram como lâmpadas, com a fragilidade de seu revestimento, e o poder de sua luz. Acredito que não apenas magos, mas em geral todos os humanos sejam assim, e é isso o que mais admiro; a vulnerabilidade dessa espécie.
Deixei minha morada com o cair ainda prematuro da noite, caminhar pelas regiões ermas parecia ser minha única opção, o papillon não seria mais um lugar desejável como outrora. A sede por sangue nunca fora finita, assim como minha existência. Entregaria minha carta pessoalmente. O destino daqueles devaneios não limitavam-se a um ser, em especial. Havia mais a ser feito com aquele mínimo espaço de tempo de minha eternidade. Fechei os olhos e com a velocidade de um pensamento, sentei na torre mais alta daquele bairro. Ninguém poderia me ver sobre os ponteiros do símbolo de Londres. Abri minha mão em direção ao vento, deixando que aquela corrente levasse minha correspondência embora, com um destino tão nebuloso quanto minha realidade de temerário da noite. 'Você pode sentir minhas garras penetrar seu coração? Um segundo passara para que eu voltasse ao chão, o mesmo solo úmido da praça diante do relógio. Os poucos que vagavam por lá ainda eram muitos, seus olhares sobre mim menos eram curiosidade, e mais contemplação. Não sabiam o que admiravam, e por isso parecia ser algo tão sublime. 'O momento corre como o vento – ainda não era a hora. Me encostei no tronco de uma árvore, sob a sombra da nuvem que cobria o luar mingüante. Sabia que alguma coisa esperava por mim naquela noite, talvez naquele lugar.


Última edição por O Vampiro Armand em 4/7/2009, 3:58 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/7/2009, 3:57 pm

Obrigado pelos bons comentários. Acabo de postar um no mesmo estilo do anterior. :]
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/7/2009, 4:05 pm

Que delícia de texto Armand!!!
Parabéns!!! cheers

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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/7/2009, 4:14 pm

Hummm... adorei ele, poste sempre que possivel... Very Happy

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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/17/2011, 11:21 pm

Leonar estava sobre um telhado, uma casa qualquer em Londres, deitava-se nas telas de barro, não fazia frio na noite londrina mas a chaminé da casa estava funcionando a todo vapor.podia ouvir os passos dos mortais andando na calçada abaixo. um casal de namorados passou pela casa aos risos.
A principio havia saido pra caçar, estava com sede, mas ao ver a noite tão bela com um céu tão limpo sem nuvens ( algo raro naquela cidade), teve de parar para lamentar sua beleza.Mas a sede superava qualquer coisa não é ?
havia três mortais dentro da casa que lhe servia de suporte, duas mulheres e um homem velho, pensou em entrar, mas teria de ser convidado, e só podia hipnotizar os mortais quando estavam dormindo ou fora de suas casas.
Foi até a beira do telhado e olhou...
Um homem bêbado e gordo vinha por um beco próximo a casa, trocava as pernas e se apoiava na parede pra não cair. Era perfeito, uma fumaça começava a se arrastar pelo rua de pedra, era o primeiro sinal de uma virada no tempo, era perfeito, muitos homens bêbados caiam nas ruas e morriam de frio em 1854.
lançou-se do telhado, seus pés quase não produziram ruido quando tocaram o chão. então Leonar deixou de existir por um tempo, em seu lugar entrou um caçador implacável, os olhos verde esmeralda dilataram-se tornando-se negros, os lábios recuaram sobre os dentes expondo os caninos, e ele foi. Em menos de um milésimo estava grudado na garganta do homem, ele provavelmente nem saberia como saiu dessa vida.
Leonar sentiu o sangue salubre descer por sua garganta, o gosto do álcool também estava presente realçando o calor e a vida que era proporcionado, vida sentia-se vivo de novo, sentia -se vivo enquanto sugava a vida rubra do bêbado.
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/18/2011, 12:33 am

Maravilha, Bener! Gostei do seu estilo.

Espero que você contribua mais. E também nas criações coletivas.

Você vai ver que temos escritores incríveis aqui no ILHA. Rode por aí e confira. Vc vai gostar.


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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/19/2011, 6:18 am

Muito bom Bener. Gostei muito da sua linha de pensamento, poste mais coisas pra gente. cheers
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/19/2011, 11:30 am

Bem curtinho mas muito legal cheers
Adorei, parabéns Very Happy
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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/20/2011, 1:29 pm

Adorei a sua narrativa, daqueles tipos que prendem o leitor. Gostei mesmo.

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MensagemAssunto: Re: - Narrativas Ficcionais .   4/21/2011, 3:14 pm

Capitulo 1

O cheiro de rum e vinho barato enchia a taverna Din & Jin’s , Leonard Green apesar de jovem já era um bebedor inveterado, não era só o cheiro de bebida barata, mas a será das velas que queimavam nas mesas e nos candelabros baratos fixados na parede. Um grupo de homens jogavam bisca em uma mesa no centro do salão, vários bêbados caídos e prostitutas caídos em mesas ao redor em coma alcoólico, o tocador de piano também debruçado sobre o teclado de marfim, roncava alto, Leonard não lembrava qual havia sido a ultima musica que foi tocada, e muito provavelmente o próprio pianista também não. As dançarinas com seus vestidos curtos e decote que expunham metade dos seios, haviam se retirado há algumas horas, subiram para os quartos do segundo andar, algumas para descansar, outras transar com os jogadores e homens que julgavam interessantes.
Devia ser quatro horas da manhã, Leonard não sabia com certeza, mas tinha de sair(não que tivesse outra taverna melhor para visitar, alias o Din & Jin’s era o melhor lugar para se farrear em toda Londres, isso é claro no tempo que relato essa historia 1794, 14 de julho pra ser mais exato), mas porque já estava fadado do cheiro de bebida e fumo barato, queria um lugar mais calmo um pouco, um belo bosque nas pradarias nos limites da cidade era uma boa pedida, e como o Din & Jin’s ficava na região periférica de Londres não era uma viagem muito longa pra ele , ainda mais nas condições em que se emcontrava.
Levantou trôpego da mesa, derrubou o copo com o resto do vinho que tomava , foi em direção a porta, no caminho tropeçou em um homem que estava caído no chão, ele resmungou mas continuou no chão, Leonard agradeceu por não ter caído, se o fizesse duvidava que conseguiria levantar de novo.
Empurrou a pesada porta de madeira e saiu para a noite. Ao contrario de que se espera dos boêmios a rua estava relativamente vazia, alguns bêbados também estavam do lado de fora do Din & Jin’s e das tavernas vizinhas, algumas tochas e fogueiras queimavam para iluminar a noite, mas era em vão.
Leonard andou pela viela Ering’s trocando as pernas, talvez não conseguisse chegar ao campo,estava cansado de mais. Encostou na parede, um cão dormia encostando ali também, não conseguia dar mais um passo, deixou o corpo cair arrastando as costas contara a parede.Sentou no chão ao lado do cachorro sarnento, eram iguais afinal, dois lixos jogados no chão.
Deixou a cabeça cair encostando o queixo no peito, o mormaço de cabelo embaraçado e loiro que chegava até a altura dos ombros caiu na frente do rosto formando uma cortina. Fechou os preparando para entrar na inconsciência do sono que provavelmente iria durar algumas horas se ninguém o acordasse, não ia demorar muito estava bêbado, começo a sentir a escuridão envolver sua mente mas algo fez despertar...
Um ruído estranho como um guinchar, levantou a cabeça pra ver o que era o cachorro ao seu lado, não estava mais dormindo olhava pra ele com uma expressão de medo, estava acuado na parede tremendo todo seu corpo imundo.Leonard achou a sena curiosa, não entendia por que o cachorro tinha medo dele, sua imagem não assustava nem as crianças que insistiam em jogar pedras nele pra passar o tempo.
O cachorro estava virado na sua direção mas não estava olhando para ele estava? Virou-se pra direita , os primeiro sinais de neblina começavam a aparecer, o dia seguinte ia nublado. Mas não foi isso que despertou o interesse de Leonard, um homem estava parado há vinte metro de distancia deles (nessa altura do campeonato já pensava no cão como um membro de equipe), o homem estava parado apenas observando os dois, não movia um único músculo, vestia um longo mato escuro de longe dava pra ver a boa qualidade, o rosto dele era impossível de se ver, mesmo sobre a luz da fogueira não podia se ver nada, só a forma masculina e a vasta cabeleira escura que passava da linha do ombro.
-Quer brigar ?- Leonard gritou para o estranho, com certeza iria apanhar se brigasse, mas ....
O homem avançou um único passo na direção deles, o pobre cachorro se acuou mais contra a parede, tremendo mais ainda, voltou a olha para o homem, mas ele não estava mais lá.Um calafrio percorreu sua espinha como um pingente de gelo descendo por seu ossos. Não havia mais ninguém, apenas alguns bêbados jogados na frente do Din & Jin’s. Deixou a cabeça cair de novo, sem mais interrupções iria dormir ali mesmo, não era a bela pradaria que queria, não chegava nem perto, mas não tinha alternativa. No dia seguinte iria acordar e encher a cara de novo. Fechou os olhos.
-Não é briga que eu quero
Leonard levou um susto imenso , levantou a cabeça em um salto, o coração batendo rápido e a adrenalina correndo no sangue; o pingente de gelo se transformou em um ice Berg inteiro, cada grama de seu corpo petrificado. Fora essas sensações havia algo mas que o assustava, o homem que havia desaparecido estava há apenas dois metros de distancia, se aproximou sem fazer ruído algum. Mesmo embriagado ele poderia ouvir, sempre teve boa audição, mas não ouviu nada.
O cachorro disparou em uma corrida pela rua, mexendo seu corpo ossudo o mais rápido que podia. Leonard não viu isso estava concentrado no homem, mesmo estando mais perto não conseguia ver seu rosto, estava escuro de mais, e ele bêbado de mais talvez, mas agora podia ver seus olhos, dois círculos verde esmeralda brilhando no escuro; ficou com medo daqueles olhos.
- Quero outra coisa.- A voz aveludada e sedutora, grossa e máscula, mas carregada de um tom tenebroso que não agradava muito ao espírito.- Quero sua vida rubra.
Foi tudo rápido, em um segundo estava parado na frente de Leonard, e no outro... Leonard estava sendo suspenso no ar contra a parede, o homem enfiou os dedos entre suas costelas perfurando a carne, sentiu o sangue quente escorrer pelo dorso, os estalos das costelas quebrando.A dor eras muito grande, mas não conseguia gritar, um nó se instalou em sua garganta impedindo qualquer tipo som de por sua boca. O homem baixou-o próximo a seu próprio rosto, Leonard tentou empurrá-lo, mas era como tentar mover uma rocha de mil quilos.
Algo afiado cortou seu pescoço, em seguida seus braços perderam as forças e pararam de lutar, seu corpo relaxou, a dor das costelas quebradas e do corte profundo no pescoço não incomodavam mais, era como estar embriagado de novo, seus dedos estava gelados e formigando levemente. O homem tirou os lábios de seu pescoço e os levou até a orelha direita de Leonard:
- Podia te dar a morte, pra um sujeitinho como você seria uma boa não é verdade?- Queria responder que sim, mas não teve forças, por um leve segundo achou que conhecia aquela voz, mas logo isso deixou sua mente.
- Mas vou fazer algo pior que a morte, vou te deixar vivo pra sempre.- levou os lábios ao ferimento no pescoço de novo, agora sabia estava sugando seu sangue, mas por que?Deixou o corpo de Leonard cair no chão, ele bateu a cabeça na contra o muro, mais uma dose de sangue estava saindo por sua cabeça.
Sentiu como se mãos frias tocassem sua alma e arrancasse algo lá de dentro, então começou, o formigar nas mãos tornou-se insuportável, se espalhou pelo corpo todo, como milhares de agulhas enterrando em sua carne.
Todo seu corpo estava contraído, cada músculo, a boca estava aberta, tentou fechá-la mas o maxilar não obedecia, o gengiva e a cabeça doíam muito mais que todo o corpo, podia ouvir estalos de ossos batendo.
Um liquido quente e nojento foi derramado em sua boca, o gosto de fel era esmagador, se não tivesse tão mal iria vomitar com certeza. Sua boca fechou-se finalmente, e a sensação das agulhas apenas piorou, agora as agulhas estavam não so entrando em sua carne,mas queimando também.]
- Espero que tenha uma longa e triste eternidade.
E tudo se tornou silencio.
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